ENTRESSEIO

s.m. 1-vão, cavidade, depressão. 2-espaço ou intervalo entre duas elevações. HUMOR, CURIOSIDADES, UTILIDADES, INUTILIDADES, NOTÍCIAS SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE BENS CULTURAIS, AQUELA NOTÍCIA QUE INTERESSA A VOCÊ E NÃO ESTÁ NO JORNAL QUE VOCÊ COSTUMA LER, E NEM DÁ NA GLOBO. E PRINCIPALMENTE UM CHUTE NOS FUNDILHOS DE NOSSOS POLÍTICOS SAFADOS, SEMPRE QUE MERECEREM (E ESTÃO SEMPRE MERECENDO)

28 fevereiro, 2007

UMA VISITA À RUA PAULA SOUSA



Eu tenho uma coisa a confessar: até ontem pela manhã, eu nunca havia ido à rua Paula Sousa. Mais uma para a minha lista vergonhosa de "nunca fiz isso, apesar de escrever um blog sobre comida". Para quem não conhece, a Paula Sousa é tipo a Disneylândia para os paulistas que têm alguma afinidade com o fogão. Seu objetivo, na verdade, é vender equipamentos para restaurantes. Mas, aos sábados, quem passa por lá são pessoas como eu, que gostam de cozinhar, e querem tentar comprar no varejo _e bem mais barato_ alguns apetrechos difíceis de encontrar ou caríssimos em qualquer outro lugar. O caderno "Paladar", do jornal "O Estado de S.Paulo", deu um guia para se encontrar na Paula Sousa logo em suas primeiras edições. Mas o divertido mesmo é estacionar o carro e entrar em cada portinha, só "assuntando". Eu tinha dois objetivos bem claros: queria um maçarico para fazer creme brulée e dourar assados (que em lojas de shopping custa R$ 150 e eu comprei lá por R$ 82) e uma faca meia-lua com cabinhos nas pontas, como a da Nigella. Claro que voltei para casa com ambos e mais várias outras facas ótimas, forminhas para muffin, descascador de legumes e tive que me segurar muito para não acabar com todo o salário do mês. Se você está mal intencionado, esse endereço, bem no centro de São Paulo, é um perigo. Primeiro porque todas aquelas máquinas bacanas de bares e restaurantes estão lá, tão facinhas, à disposição... Gastei uns 40 minutos em uma das lojas só admirando os vários tipos de máquinas de café expresso, depois as batedeiras, aquela maquininha italiana linda para fazer milk shakes e até os liquidificadores. Um deles, pequenino, custava mais de R$ 3000. O vendedor explicou que custa tudo isso porque eu poderia subir em cima dele e pular ou então jogá-lo no chão, que nada aconteceria, ele continuaria funcionando, firme e forte. Tive também o capítulo assadeiras. Por que a gente sempre acha que "P-R-E-C-I-S-A" de todo jeito daquele objeto que nunca soubemos antes que existia. Me senti assim frente aos formatos inusitados de assadeiras e forminhas à minha frente. Mas consegui me segurar, até porque não sou uma pessoa muito jeitosa com doces e confeitos e achei que comprar forminhas em formato de coração, estrelinhas etc. poderia ser um grande desperdício. Enfim, nada que eu não possa avaliar até a próxima visita. Me joguei mesmo nas facas. Infelizmente o "Rei da Cutelaria" estava fechado. Não sei se não abre aos sábados. Tinha esperança de conseguir uma "curadoria" lá para a escolha das minhas facas ideais. Acabei entrando em outra loja. E segui o conselho de uma senhora que começou a rir frente à minha indecisão: "A faca certa é aquela que combina perfeitamente com a sua mão. Eu, por exemplo, não consigo fazer nada com facas muito grandes". Segui o conselho e voltei para casa com 2 modelos pequenos e uma média (essa para carnes). Depois de cair no consumo, encerrei minha visita na esquina da rua Paula Sousa com a rua Cantareira, em uma casa especializada em cachaça, e que, pelo o que entendi, pertence à importadora Metapunto (que fica do outro lado da rua). Incrível o lugar. Centenas de tipos de cachaças para venda e degustação. Da popular Velho Barreiro à especialíssima Havana (que foi me apresentada no lugar como "um mito"). Com preços que vão de R$ 6 a R$ 370. Como estava sozinha, me aventurei apenas a experimentar uma cachaça de banana, que tem um aroma incrível e um gosto forte que só lembra a banana no finalzinho. Mas o ideal é chegar lá sem pressa, sentar no balcão, pedir uma porção de bolinho de carne seca, fazer as degustações e bater papo com o barman, especialista em cachaças, que irá encontrar a ideal para você. No meu caso, a ideal foi a "Tabúa – Flor de Prata", de Salinas, Minas Gerais. Isso porque eu pedi uma cachaça perfeita para usar para cozinhar. Então, deveria ser boa, mas não tanto a ponto de me fazer sentir pena de jogá-la sobre a calabresa no fogo, e branca, para não tingir a comida. Então, a minha cachaça ideal custou apenas R$ 6,50. E confesso que tentei de todas as maneiras convencer o meu vendedor de que uma cachaça chamada "Amélia", que vem em uma garrafa escura, com rótulo vermelho, azul, amarelo e verde lindo, devia ser a escolhida para mim. Afinal, o nome não poderia ser à toa. Mas fui vencida e decidi confiar em quem entende e me garantiu que eu ficaria muito satisfeita com a minha Tabúa.

Ale Blanco

1 Comentários:

  • Às 9:04 PM , Blogger juraciaraujo disse...

    estou ensaiando pra ir lá na paula sousa, agora fiquei até com medo, pelo jeito tem coisas muuuuuuuito interessantes por lá....aaaaaaaahhhhh esses lugares são uma perdição.

    Juraci

     

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