ENTRESSEIO

s.m. 1-vão, cavidade, depressão. 2-espaço ou intervalo entre duas elevações. HUMOR, CURIOSIDADES, UTILIDADES, INUTILIDADES, NOTÍCIAS SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE BENS CULTURAIS, AQUELA NOTÍCIA QUE INTERESSA A VOCÊ E NÃO ESTÁ NO JORNAL QUE VOCÊ COSTUMA LER, E NEM DÁ NA GLOBO. E PRINCIPALMENTE UM CHUTE NOS FUNDILHOS DE NOSSOS POLÍTICOS SAFADOS, SEMPRE QUE MERECEREM (E ESTÃO SEMPRE MERECENDO)

11 novembro, 2008

CULTURA, PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL - 11-11-2008

Fortaleza-CE - Prédios antigos guardam riquezas históricas da cidade
Instituições centenárias ainda ativas reúnem passado e presente em um ambiente rico em cultura e memóriaA tradição e a modernidade travam uma batalha constante no cotidiano de Fortaleza. Enquanto casarões antigos, palacetes e prédios que outrora foram o cenário de grandes revoluções culturais desaparecem - vítimas da ação do tempo e do esquecimento – ou dão lugar a novas edificações aos moldes da atualidade, algumas instituições resistem às intempéries da contemporaneidade e atravessam séculos, sem perder um bem precioso: a história.
Com a convivência entre o velho e o novo, locais como o Liceu do Ceará, o Colégio Imaculada Conceição e o Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará dão exemplos de que é possível preservar a memória local fora dos museus, tendo o passado como alicerce, mas o presente como guia. Nesses lugares, não é preciso máquina para viajar no tempo. Basta adentrar aos largos corredores, subir as imponentes escadarias, sentar na mobília lustrada ou olhar pelos vitrais importados.Tudo é original, da época em que os prédios foram erguidos ou inaugurados. No Instituto do Ceará, portas, janelas e até mesmo o piso datam de mais de 80 anos atrás, quando o palacete Jeremias Arruda, que abriga o Instituto há mais de 40 anos, foi construído. “O Instituto do Ceará já passou por várias sedes, mas desde 1966 está aqui”, explica a coordenadora administrativa da instituição, Marines Alves.
Fundado em 1887, o Instituto do Ceará foi a primeira instituição cultural do Estado. Ao longo destes 121 anos de atividades, como conta a coordenadora administrativa do local, ele passou por várias dificuldades, mas nunca chegou ao ponto de fechar as portas. “É uma instituição privada, sem fins lucrativos e de utilidade pública que oferece uma biblioteca com mais de 35 mil volumes históricos, geográficos e antropológicos”, informa.A memória é o grande patrimônio do Instituto, mas isso não quer dizer que ele tenha parado no ontem. As traças da paralisia do tempo não sobreviveram à faxina do progresso. Em uma demonstração de adaptação ao presente, a instituição inaugurou em novembro do ano passado, o Memorial Barão de Studart, o museu de exposição permanente mais interativo em toda a cidade.
Lá, a história de Fortaleza e do próprio Instituto do Ceará é contada com o auxílio da tecnologia. A visitação ganha um tom lúdico, sem perder a finalidade instrutiva, com sensores de movimento, recursos audiovisuais e iluminação planejada. ´O objetivo do memorial é divulgar o acervo do Instituto. É para que o visitante conheça a exposição e se sinta estimulado a aproveitar a pesquisa no acervo´, destaca a coordenadora administrativa.
Centro
A harmonia entre o antigo e o moderno desenha os contornos de outras edificações da cidade. No Centro, berço da história recente da Capital, é possível encontrar desde prédios recuperados e verdadeiras atualizações da história arquitetônica da cidade a imóveis que perderam tanto o valor econômico, como cultural, graças ao desgaste do tempo e desinteresse do poder público.
Porém, há, um em particular que ainda serve de referencial. O prédio que abriga a agência central dos Correios é mais um patrimônio cultural em pleno uso e atividade. Por fora, a edificação conserva a sobriedade arquitetônica ainda de 1934, de quando o “suntuoso” prédio, como relatava a imprensa à época, foi inaugurado.
Segundo matéria do Correio do Ceará publicada no dia da inauguração do palacete - 14 de fevereiro de 1934 - a obra foi financiada pelo Ministério da Viação, custou 1.637 contos de réis e ocupava uma área de 1.440 metros quadrados, dividida em três pavimentos. Hoje, por dentro, os espaços têm a feição básica de uma grande empresa, com computadores e iluminação fluorescente, necessárias para atender à diversidade de serviços e volume de correspondências.
Contudo, alguns indícios do passado ainda estão mantidos como as portas, um elevador antigo e a permanência de alguns serviços no mesmo pavimento desde a inauguração, como é o caso da direção administrativa, ainda localizada no primeiro andar da unidade. Reformas foram feitas, mas o cuidado para não cair na descaracterização da fachada do prédio foi tomado, em uma demonstração de que o ontem e o hoje terão espaço equilibrados.
TRADIÇÃO
Educação humanista secular
As irmãs vicentinas, responsáveis pelo Colégio Imaculada Conceição, são as guardiãs de 143 anos da história cearense
A memória e o patrimônio da cidade e do Estado, de um modo geral, podem ser contados pelas pedras, vitrais e mobília preservadas nas antigas edificações ainda erguidas. Mas é a vivência cotidiana dentro dessas instituições e o zelo de quem nelas permanece que são a verdadeira riqueza patrimonial de Fortaleza.A irmã Elizabeth Silveira, vice-diretora do Colégio Imaculada Conceição, é a porta-voz de mais de 60 anos de história da instituição e, consequentemente, da cidade. Com quase 90 anos de idade e muita lucidez, ela narra com precisão fatos de quando as irmãs vicentinas, vindas da França, aportaram na Capital, nos idos de 1865. “Graçava a peste aqui no Ceará e elas foram convidadas para cuidar das crianças órfãs”.
O passado, ela conta com a precisão de quem viveu os fatos e do futuro fala com cautela, mas sem medo. “Vamos escolhendo o que há de melhor na atualidade para continuar sobrevivendo”. Nos largos corredores, fotos das décadas passadas da escola que já tem 143 anos de atividades. Cadeiras, mesas, portas e janelas também guardam parte da memória da instituição. Mas, conforme Irmã Elizabeth, o grande diferencial do Imaculada não está nos bens materiais, e sim no ensino humanista.“Nossos valores contrastam com esses atuais de pressa, concorrência e consumismo. Não queremos perder o fio educacional humanista baseado na idéia de família”, explica. O colégio, que foi a primeira instituição educacional voltada para mulheres no Estado, deve seus méritos à bagagem cultural e vocação de ensinar das vicentinas. As irmãs de caridade se estabeleceram em um prédio onde funcionava uma escola para pequenos artesãos.
A cultura e refinamento delas foram o grande trunfo para transformar o orfanato em uma instituição de ensino para as jovens de famílias abastadas e tradicionais de todo o Ceará. “Elas aprendiam História, Francês, Matemática e trabalhos manuais”, conta irmã Elizabeth, que descobriu seu amor pela educação nos bancos do Imaculada. Além de primar pelo conhecimento, as freiras zelavam e prezam até hoje pela fé dos estudantes.As vicentinas são as guardiãs de outro patrimônio arquitetônico da cidade, a Capela do Pequeno Grande. Inaugurada em 1903, a igreja de estilo neogótico abriga celebrações diárias às 18 horas. Os bancos ainda são do início do século XX, as estátuas dos santos vieram da França, assim como os vitrais, enquanto a estrutura metálica veio da Bélgica. Como uma forma de adaptação aos novos tempos, foi permitida a celebração de casamentos na capela, que é muito procurada pela comunidade pela sua beleza e imponência.
IGREJA
Religião e preservação histórica em diálogo
O Centro de Formação Santa Rosa do Viterbo e a sua capela promovem um acolhimento espiritual e histórico à comunidade
Encoberta pelo movimento e agitação do Centro da cidade, uma outra instituição católica, não centenária como o colégio das irmãs Vicentinas, mas também preservada e dotada de uma beleza histórica, resiste à ação do tempo servindo à comunidade. O Centro de Formação Santa Rosa do Viterbo, que agrega também a Capela do Sagrado Coração de Jesus, busca na simplicidade e austeridade princípios que mantêm a instituição perto de um público mais tradicional.
Localizadas na Av. da Universidade, no número 1896, a casa de Santa Rosa e a capela podem até não ser reconhecidas pelos seus nomes, mas são velhas conhecidas de quem trafega por esse lado da cidade, principalmente por um detalhe: uma cruz “deitada” colocada no alto da igreja.
A simbologia da cruz inclinada e não no sentido vertical, como é de costume católico, é explicada pela irmã Angelita: “Quando Jesus carregou a cruz em seu ombro, ela não estava em pé, mas deitada. Isso quer dizer que nós estamos aqui para acolher e ensinar as pessoas a carregarem sua própria cruz”. A celebração tradicional às 6h15 da manhã de segunda a sábado acolhe os moradores do Centro, como a dona-de-casa Inácia Andrade, de 70 anos.
“Deus me faz vir aqui todos os dias”, conta a devota que mora na Rua Floriano Peixoto e freqüenta a capela há mais de 30 anos. A edificação não ostenta luxo, mas tem suas riquezas: vitrais italianos, luminárias em forma de lírios e uma imagem do sagrado coração de Jesus que acolhe os fiéis no centro do altar da capela. Segundo uma das moradoras da casa, irmã Vitrícia Maria, em 1953 a capela ainda estava sendo construída, portanto, tem mais de meio século de vida ininterrupta.
As Irmãs Missionárias Capuchinhas, congregação à qual as irmãs da Casa Santa Rosa do Viterbo pertencem, chegaram no Ceará ainda no início do século XX, mais precisamente em 1904, no município de Canindé. Elas receberam da família do ex-governador Gonzaga Mota, o palacete onde hoje funciona a casa de acolhimento e passagem Santa Rosa do Viterbo e o terreno ao lado que deu origem à Capela.
Naiana Rodrigues
Repórter
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
É preciso educar para preservar
CÉLIA GUABIRABA memoriaceara@uol.com.br
Sócia-fundadora do Instituto da Memória do Povo Cearense (Imopec)Todo o patrimônio cultural do Ceará, incluindo o patrimônio ambiental, está muito comprometido, apesar das iniciativas do poder público e de outras instituições - que são louváveis - mesmo assim, é como se estivéssemos correndo contra o tempo. Muitas instituições e prédios foram destruídos ou passaram por mudanças que levaram à descaracterização.
É urgente que se integre os estudos do patrimônio cultural do Ceará nos currículos das escolas e universidades. Temos que ficar de olho nas novas gerações, porque esta que está aí é destruidora, principalmente por conta da especulação. A educação das novas gerações é a chave para a preservação do patrimônio cultural do Estado.O desinteresse pelo patrimônio no Ceará não é uma questão de hábito, é mais de formação. Como nós na Capital recebemos muitas pessoas vindas do Interior, a cidade acaba ficando sem uma identidade definida. As pessoas que chegam acabam não se identificando, daí o desamor pela cidade e a falta de respeito com os monumentos e o patrimônio histórico.
Diário do Nordeste

Livro de Guiomar de Grammond divide população de Ouro Preto
OURO PRETO - A pesquisadora, dramaturga e escritora Guiomar de Grammond circula pelas ladeiras íngremes de Ouro Preto com a naturalidade de quem está em casa. Nas ruas estreitas, seu corpo parece mimetizar as igrejas e os inúmeros monumentos históricos. Nascida na cidade mineira, sempre manteve laços afetivos com a arquitetura do lugar. Há algumas semanas, contudo, a relação da autora com seus conterrâneos mudou.
O conteúdo explosivo de seu novo livro, Aleijadinho e o aeroplano: o paraíso barroco e a construção do herói nacional, que questiona o mito em torno do lendário escultor brasileiro, dividiu a população de Ouro Preto. A obra, que será lançada terça-feira na, Livraria da Conde, no Leblon, às 19h, já fez Guiomar receber críticas e apupos na rua, algumas em tom de ameaça, como “O que você está fazendo?” ou “É melhor você tomar cuidado”. Recebeu telefonemas irados de colecionadores e de um político importante, cujo nome prefere não revelar.
A polêmica se multiplicou esta semana, com o início do 4º Fórum das Letras de Ouro Preto, evento idealizado e organizado pela própria autora que, requisitada a todo momento, desdobra-se para atender a uma entrevista.
– Sou muito querida na cidade, e acho que a maioria das pessoas entende que o livro é uma homenagem ao meu mundo – diz Guiomar, que é professora de filosofia na Universidade Federal de Ouro Preto. – Tenho uma relação forte com Ouro Preto, meus avós estão enterrados aqui. Sinto que alguns tentam me defender, mas outros estão confusos, acham que quero destruir o turismo e o patrimônio histórico.
Questionando a identidade do artista, Guiomar encontrou lenha para o debate.
Ao comparar diversas biografias, percebeu que algumas informações surgidas ao longo da história simplesmente não batiam. Muito do que foi apresentado como fato não ganhou a checagem necessária dos diversos biógrafos. Para a autora, é possível que Antonio Francisco Lisboa (o nome de batismo do escultor) não tenha sido fisicamente deformado como dizem. A paternidade é outro ponto duvidoso. Para completar, sugere que várias obras atribuídas a ele seriam, na verdade, realizações de outros artistas, ou de uma criação coletiva.
– Aleijadinho existiu, sim, mas foram vários – sugere. – O Chafariz do Padre Faria, por exemplo, não poderia ter sido concebido por ele, que tinha apenas 23 anos quando foi construído. Também é preciso lembrar o fato de que muitas vezes os mestres assinavam as melhores obras realizadas por seus discípulos. A noção de autoria não existia naquele período, foi algo que surgiu depois, muito em função do mercado da arte.
Críticos atribuíam obras a um grande artista para aumentar seu valor. Havia obras que não tinham o recibo do ateliê do Aleijadinho, mas, como era interessante atribuí-las a ele, chamava-se um crítico, que assinava um laudo a partir de características estilísticas. Muitas dessas atribuições mascaram fatos da vida e da obra do artista.
A tese sustenta que a farta produção barroca do período não era fruto apenas de um gênio solitário.
– É isso que as pessoas não entendem – lamenta a autora. – Quero abrir novos caminhos para a história de Ouro Preto e do Brasil. Não destruí-la. Nosso país tinha uma escola muito fértil, ousada, com influências européias. Era um conjunto de artistas cuja memória ficou soterrada pela sombra de Aleijadinho.
Guiomar teve a idéia de investigar as origens da arte de Ouro Preto durante seu estágio na École de Hautes Études en Science Sociales de Paris, quando estudou com o historiador Roger Chartier. Ainda na França, fez um estudo de representações, que desconstrói o personagem idealizado na primeira biografia, escrita por Rodrigo José Ferreira Bredas, em 1858. Bastante romantizada, a narrativa pertence a uma época em que não havia ainda uma fronteira exata entre história e literatura.
– O mito de Aleijadinho é uma criação de discursos ideológicos – argumenta. – Há uma construção política que serve a muitos meios, e que ganhou, ao longo da história, um estatuto de verdade incontestável, e que no fundo guarda uma evidência.
Prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo de Araújo Santos acredita que a controvérsia na cidade tenha sido causado pela divulgação precipitada do livro.
– É uma polêmica que começou essa semana – desconversa. – Falaram do livro sem ler, e passaram uma interpretação equivocada das idéias de Guiomar.
Bolívar Torres
Jornal do Brasil
No Porto e em Lisboa, bibliotecas valiosas à venda
Uma coleção de mais de 2800 livros raros, com várias primeiras edições de obras de Camilo e Eça de Queiroz, será vendida esta semana no Porto. Em Lisboa, é o espólio de Fernando Pessoa que vai a leilão

Em Lisboa, espólio de Pessoa
A leiloeira e Galeria de Arte P4Ltd (Potássio Quatro Limitada) vai realizar no dia 13 de novembro um leilão dedicado exclusivamente a obras e peças de Fernando Pessoa.
Na noite do 13 de novembro, poderá acontecer um "leilão histórico", pelo valor que o lote pode atingir. A opinião é de Jeronimo Pizarro, o catedrático que digitalizou todo o espólio de Fernando Pessoa. O leilão é realizado depois de uma longa polêmina, que envolveu o Ministério da Cultura e a Casa Fernando Pessoa. A venda que será realizada no dia 13, às 21h, na galeria P4 Photography em Lisboa, reúne parte do espólio que pertencia à biblioteca de Fernando Pessoa e do qual os seus herdeiros decidiram se desfazer.
Entre os documentos que serão leiloados está o célebre "dossier Pessoa-Crowley". É ele o protagonista deste leilão, cuja legitimidade é questionada por muitos especialistas na obra de Pessoa, alguns dos quais teriam se recusado a participar do catálogo preparado pela galeria. Para Jeronimo Pizarro, "há algumas questões jurídicas que não estão esclarecidas". Nomeadamente a que se prende com o fato de o Ministério da Cultura ter dado um montante à família, julgando estar comprando a totalidade do espólio de Fernando Pessoa que está na Biblioteca Nacional, e que agora verificou-se não ter acontecido.
No leilão, onde serão colocados à venda livros, cartas, revistas e fotografias que integram um lote que a diretora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, defendeu que deveria ser comprado pelo Ministério da Cultura. O objetivo seria o de eliminar o risco de o espólio poder ficar disperso ou ir parar às mãos de compradores estrangeiros. O ministro José António Pinto Ribeiro não descartou a hipótese de comprar um lote tão vasto quanto heterogêneo que inclui ainda o contrato de arrendamento da casa da Rua Coelho da Rocha (atualmente sede da Casa Fernando Pessoa), bem como cartas astrológicas, livros, revistas, entre as quais a Contemporânea, além de uma edição da Orpheu com dedicatória de Almada Negreiros. Pinto Ribeiro declarou então que precisava de ter informações mais detalhadas quanto ao valor e ao interesse do espólio em causa.
O catálogo do leilão está no site:

No Porto, raridades camilianas
Uma biblioteca com mais de 2.800 livros raros, com obras desde o século XVI até à atualidade, entre os quais muitas primeiras edições das obras de Camilo e Eça de Queiroz, está em leilão esta semana, no Porto (Portugal). O leilão está a cargo da Livraria Antiquária Manuel Ferreira, estando os livros expostos desde segunda-feira no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim. Trata-se da parte consagrada à literatura da biblioteca do advogado e bibliófilo José de Oliveira Bastos, de 78 anos, coleção adquirida, em boa parte, no Brasil.
Uma doença oftalmológica que não lhe permite ler como antigamente, a falta de condições que garantam a boa conservação dos livros e o fato de não ter continuadores são as razões que justificam a opção pela venda. Oliveira Bastos explicou que alguns dos livros foram prejudicados pela umidade, por terem convivido durante anos com a sua coleção de faianças. "A umidade é inimiga dos livros, enquanto as faianças são incompatíveis com os desumidificadores. Já tive de vender peças de faiança porque não suportam o desumidificador", explicou.
Agência Lusa e
RTP - Rádio e Televisão Portuguesa
P4 live auctions e Diário de Notícias, Portugal
Biblioteca Nacional reorganiza seu acervo digital
Com mais de 200 discos rígidos, Biblioteca Nacional guarda cópias de obras raras que foram digitalizadas, como as 23 mil fotos que faziam parte da coleção de D. Pedro II
O cofre da Biblioteca Nacional (BN) do Rio de Janeiro, lugar onde estão guardadas as principais raridades da memória nacional, já não tem mais espaço para um incômodo equipamento que, de uns tempo para cá, passou a entulhar a disputada sala de segurança. Nas prateleiras, estão empilhados mais de 200 discos rígidos (HDs), o componente de computador usado para armazenar os dados digitais.
O alojamento de luxo não foi uma exigência despropositada do pessoal de informática, explica Angela Monteiro Bettencourt, coordenadora de informação bibliográfica da BN. Naqueles discos, diz Angela, estão guardadas cópias de obras raras, como a "Coleção D. Thereza Christina Maria", o conjunto de 23 mil fotos que fazia parte da biblioteca particular do imperador D. Pedro II.
Iniciado em 2003, o projeto de digitalização de obras é uma das iniciativas mais ambiciosas da BN, hoje a sétima maior biblioteca do mundo. A evolução dessa empreitada, porém, passa agora por uma etapa de reorganização.
A biblioteca ainda não conta com um "data center", o centro de dados usado para armazenar, de forma segura, o conteúdo que seu laboratório digital tem gerado. Hoje, tudo é gravado em computadores comuns, que depois têm seus HDs retirados e guardados no cofre. O problema é que esse conteúdo não pára de crescer.
Atualmente, a Biblioteca Nacional Digital reúne 1 milhão de imagens digitalizadas, o que equivale a 5 terabytes de informação. "Um mapa digitalizado que colocamos no site tem apenas 70 kilobytes de tamanho, só que esse mesmo arquivo guardado em alta resolução tem cerca de 300 megabytes."
A montagem do centro de dados é o próximo passo da BN. A instituição já elaborou uma proposta e a entregou para o Fundo Nacional de Cultura (FNC), controlado pelo Ministério da Cultura. No ano passado, a verba da instituição foi de cerca de R$ 330 mil.
O plano da instituição é ter dois centros de dados, um deles para cópias de segurança. Cada estrutura foi avaliada em cerca de R$ 400 mil. "Com esse data center, teríamos capacidade suficiente para mais 5 anos de trabalho."
Por enquanto, a maior parte dos documentos digitalizados pela biblioteca é constituída de fotos e gravuras raras. De livros, apenas 250 obras passaram pelo processo porque a entidade não conta com um scanner profissional dedicado especificamente a essa tarefa. O equipamento, que custa cerca de US$ 120 mil, também está no pacote proposto.
O objetivo é criar o que Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, chama de "repositório da memória digital brasileira". Paralelamente, a BN também faz parte do programa da Unesco, que trabalha na criação de uma grande biblioteca mundial, disponível via internet. Por enquanto, diz Sodré, a iniciativa - lançada pela Biblioteca do Congresso dos EUA em 2005 - só está disponível para a Biblioteca de Alexandria, no Egito. "Daqui a seis meses, todo o conteúdo estará disponível internacionalmente."
André Borges
jornal
Valor Econômico
Parábola da resistência
Livro "Nos penhascos de mármore", de Ernst Jünger, tema do V Concurso ABER de Encadernação Artística, é uma fábula simbólica na qual o autor denuncia os regimes totalitários
Dez anos depois de sua morte, um dos mais importantes autores alemães do século XX, Ernst Jünger (1895-1998), terá sua principal obra publicada no Brasil. "Nos penhascos de mármore", de 1939, está sendo lançado pela editora Cosac Naify, com tradução de Tércio Redondo e prefácio do crítico Antonio Candido.
"Nos penhascos de mármore" conta a história de dois irmãos que vivem isolados, estudando a natureza, enquanto uma guerra se espalha pela região, promovida por um tirano a quem muitos aludem alegoricamente à figura de Hitler.
Jünger, que morreu aos 103 anos, sempre dividiu opiniões. Para Hannah Arendt, foi um "anti-nazista ativo". No entanto, atuou do lado dos alemães como militar na Primeira e na Segunda Guerra Mundial e, como capitão da Wehrmacht, participou da ocupação de Paris pelos nazistas.
Ferido no primeiro combate mundial, Jünger tornou-se herói de guerra. Em 1920, lançou seu primeiro livro, "Tempestades de aço". Oficial condecorado, Jünger trocou uma possível carreira política ao recusar o convite para tornar-se deputado nacional-socialista no Reichstag e preferiu se dedicar à botânica e à entomologia, suas paixões.
O escritor foi amigo de Picasso e inimigo de Céline, atraiu a atenção de autores como Borges e Julien Gracq, teve Hitler como admirador, mas seus livros eram considerados suspeitos pela Gestapo.
"Nos penhascos de mármore" é uma parábola situada em países imaginários, na qual o autor alude aos horrores e extremos dos regimes totalitários. Lançado em 1939, a obra chega agora ao Brasil com prefácio de Antonio Candido, que comenta a visita de Jünger ao Brasil, em 1936, quando ficou maravilhou pela flora e fauna locais.
Clássico alemão do século XX, "Nos penhascos de mármore" é o objeto do V CONCURSO ABER DE ENCADERNAÇÃO ARTÍSTICA. Será sobre exemplares da obra de Jünger que os participantes do concurso, encadernadores profissionais ou amadores, irão executar uma encadernação artística.
Os trabalhos serão exibidos em uma mostra no Centro Cultural São Paulo, em junho de 2009. Um júri formado por profissionais renomados escolherá os melhores trabalhos, que receberão prêmios em diversas categorias.
Serviço:
Livro: Nos penhascos de mármore
Autor: Ernst Jünger
Tradução e posfácio: Tercio Redondo
Apresentação: Antonio Candido
Editora: Cosac Naify
200 páginas; 14,5 x 21,5 cm; 0,31 kg;
ISBN 978-85-7503-724-9
Preço sugerido: R$ 49
Para mais informações sobre o V CONCURSO ABER DE ENCADERNAÇÃO ARTÍSTICA, clique
AQUI.
Para se preparar para o concurso e conhecer mais sobre a obra a ser encadernada, alguns textos sobre o livro de Ernst Jünger:
O Bom Nazista
Por Jonas Lopes, Revista BRAVO!, Novembro de 2008
No período em que Adolf Hitler permaneceu no poder na Alemanha, quase todos os escritores e intelectuais hoje considerados importantes foram perseguidos e tiveram seus trabalhos banidos. Uma das exceções foi Ernst Jünger (1895-1998). O motivo? herói do país na Primeira Guerra Mundial, oficial do exército nazista na Segunda, o escritor alemão contava com o ditador entre seus admiradores — que, na época, não eram poucos. De lá para cá, a popularidade de Jünger só fez decrescer. No Brasil isso começa a mudar com o lançamento de "Nos Penhascos de Mármore". Intrincada alegoria sobre poder e dominação, o livro nos permite compreender a admiração de gente bem diferente de Hitler — como o franco-americano George Steiner e o brasileiro Antonio Candido, críticos que têm o autor entre os grandes escritores alemães.
Texto completo:
AQUI

Nos Penhascos de Mármore: a descoberta de uma obra-prima
Texto de apresentação e entrevista com o tradutor Tercio Redondo, no site da Cosac Naify
"Nos penhascos de mármore" é o primeiro livro de Jünger publicado pela Cosac Naify, que já prepara outra obra do alemão para o próximo ano. Dono de uma prosa elaborada, Jünger tem uma biografia riquíssima - foi legionário, participou das duas guerras mundiais, além de se dedicar ao estudo de insetos -, e transpõe para a narrativa seus interesses. O livro conta com apresentação de Antonio Candido, o principal crítico literário do país, que define o romance como "uma admirável arquitetura de palavras que se sustentam pela força da sua corporalidade. É uma representação terrível e devastadora dos totalitarismos, que acaba superando as contingências de época para ganhar a força do símbolo".
Texto completo:
AQUI
Entrevista com o tradutor: AQUI
Destaque para o Concurso ABER: AQUI

Ernst Jünger: que a beleza nos preserve do mal!
Pelo filósofo e tradutor português João Barrento, publicado no livro A palavra transversal. Literatura e idéias no século XX (Lisboa. Livros Cotovia, 1996)
Há escritores com uma obra tão reverberante que cega. Há existências tão intensas e complexas que o princípio-chave para as entender só pode ser o da contradição que as informa. Há textos cuja leitura descontextualizada pode provocar uma vertigem que só esfria quando os pensamos no lugar relativo que ocupam. Quando a tudo isto se vem juntar uma vida que atravessa todo o século XX, agindo nele e com ele, e procurando lê-lo a cada momento - estamos então perante um daqueles casos, uma daquelas obras que se agigantam, em relação aos quais todo o maniqueísmo está condenado ao fracasso. Esse é o caso, essa é a obra, de Ernst Jünger, verdadeiramente um autor do século (n. 1895) e certamente o mais controverso da literatura alemã dos últimos setenta anos, que soberanamente vem ignorando, e um catalizador das mais acesas discussões envolvendo as grandes ideologias deste século - anarquismo e fascismo, democracia e comunismo, nacionalismo conservador e sociedade aberta, direita reaccionária e nova esquerda, liberalismo e ecologismo...
Texto completo:
AQUI

Mestre das palavras em tempos sombrios
Por Carlos Eduardo Ortolan Miranda, Guia da Folha
Veterano da Primeira Guerra Mundial, capitão da Werhmacht na Segunda, ferido em combate, herói condecorado, Jünger foi o legítimo representante de uma corrente de pensamento conservadora, aristocrática, que fazia apologia das nobres virtudes guerreiras, numa espécie de ideal de ordem de cavalaria que, no confronto com a frieza e racionalidade técnicas da guerra moderna, tornar-se-ia um incômodo anacronismo para a máquina de matar nazista: não casual que Jünger fosse próximo dos oficiais prussianos que tramaram o falhado atentado contra Hitler. Embora fosse de fato um conservador (como percebeu a lucidez analítica de Walter Benjamin), Jünger nunca foi nazista: “Nos Penhascos de Mármore" é uma fábula simbólica acerca de paises imaginários, uma virulenta critica, em chave cifrada, dos regimes totalitários.
Texto completo: Guia da Folha de 31/10/2008, p. 10

Marcadores: , ,

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial