PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL
São Luis pode perder título de Patrimônio Histórico da Humanidade
O acervo de casarões antigos de São Luís está sendo degradado a ponto de 50 deles terem sido transformados em estacionamentos públicos. Em discurso nesta quinta-feira (7), o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) chamou a atenção para os resultados da vistoria feita no centro histórico da capital do Maranhão pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que atestou a degradação.De acordo com o parlamentar, em recente pronunciamento, o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, informou que São Luís corre o risco de perder o título de Patrimônio Histórico da Humanidade concedido pela Unesco - o braço cultural a Organização das Nações Unidas.
- Lamentável e muito grave esse processo de descaracterização do Centro Histórico de São Luís, reconhecidamente o mais homogêneo conjunto arquitetônico de origem portuguesa na América Latina. É um verdadeiro atentado à história e à própria identidade do povo maranhense, que tem com aquela cidade uma relação de amor e muito orgulho - protestou Cafeteira.
Na opinião do senador petebista, não há porque culpar o Iphan pelas conclusões da vistoria, quando o Maranhão é que deixou de cuidar do patrimônio histórico de sua capital. Ele disse que, durante seu mandato como governador, a situação foi oposta. O senador se referia ao Projeto Reviver, mediante o qual o centro histórico original da cidade de São Luís, com obras do século XVII, foi reconstruído.
- Quando assumi o governo do estado do Maranhão, em 1987, estava consciente da necessidade mais urgente de recuperar o patrimônio arquitetônico de São Luís, sob pena de presenciar sua galopante deterioração - contou o senador.
Cafeteira contou que, para recuperar o centro histórico, além dos desafios de ordem financeira, já que se utilizaram recursos estaduais, foram superadas outras dificuldades, como a de reinstalar um ambiente antigo numa infra-estrutura urbana complexa, fruto do crescimento desordenado.
Redes de água, esgoto e drenagem foram refeitas. As galerias subterrâneas, obra de engenharia hidráulica redescoberta durante as prospecções da área, foram desobstruídas e reparadas. A iluminação pública e o sistema de telefonia, descrito pelo senador como "um emaranhado de cabos e fios", foram substituídos por cabos subterrâneos especiais, devolvendo-se o visual de antes com a instalação de réplicas dos postes de ferro e lampiões coloniais.
Segundo Cafeteira, com a conclusão do projeto, houve geração de empregos, atração de turistas, criação de espaços culturais e de lazer, mas, principalmente, verificou-se a recuperação da auto-estima do maranhense.
- Não podemos compactuar com o desprezo pelo passado. Só podemos compreender o presente, nossa cultura e nossa identidade, percebendo e preservando todos os traços de sua construção, e a arquitetura de antes tem muito a nos dizer - assinalou o parlamentar.
Nelson Oliveira / Agência Senado
Para unir 3 lotes, obra derruba casarão em área tombada de São Paulo
Em plena luz do dia, os responsáveis por um canteiro de obras de 4 mil metros quadrados na esquina das Ruas Antilhas e Venezuela, no Jardim América, área tombada da zona oeste de São Paulo, concluíram ontem a demolição de um casarão da década de 1950 para viabilizar o remembramento de três lotes. A intervenção não tinha autorização da Prefeitura nem do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Estado (Condephaat). A demolição ilegal foi denunciada ao Estado por moradores da região. Por volta das 15 horas, a reportagem constatou a destruição de um dos casarões e entrou em contato com o arquiteto Péricles Martins, cujo nome aparecia na placa da obra. "Se está ocorrendo demolição, é ilegal e eu vou mandar parar. Ainda estamos concluindo o projeto que será mandado para a Prefeitura", argumentou o arquiteto. "As três casas que serão demolidas não têm nenhum valor histórico, o tombamento do Jardim América é ambiental", acrescentou.Após as explicações, Martins foi para o local, por volta das 17 horas, e mandou parar a obra. Instantes depois, a fiscalização da Subprefeitura de Pinheiros, que também havia sido procurada pela reportagem, foi ao local e embargou o canteiro de obras."Não sei o que houve nem sei dizer de quem partiu a ordem para a demolição antes de o projeto ficar pronto. O que posso garantir é que todas as árvores e a vegetação do local serão preservadas, como manda o tombamento do bairro", disse Martins.A Subprefeitura de Pinheiros multou os responsáveis pela obra em R$ 602,73 e embargou o local até que o projeto do empreendimento seja aprovado pelos órgãos de proteção ao patrimônio histórico. Entre a quinta-feira e ontem, os pedreiros removeram um imóvel de 570 m² de forma ilegal, informou a subprefeitura.TOMBAMENTO Tombado desde janeiro de 1986 pelo governo estadual, o Jardim América foi idealizado no início da década de 1920 dentro do conceito cidades-jardins idealizado pela Companhia City. O remembramento ou desdobramento de lotes, assim como em outros bairros projetados na mesma época, como o Pacaembu e o Alto da Lapa, só pode ser realizado mediante autorização do Condephaat.Mas na obra da Intermack Engenharia e Construção, a previsão é a derrubada de três casarões para a construção de um novo empreendimento residencial, informou o arquiteto Péricles Martins. Ontem, um dos casarões foi colocado abaixo por tratores presentes no local. A água escoada do terreno da obra, cercada por tapumes de quase 3 metros de altura, também alagou parte da calçada ao lado dos imóveis de numeração par da Rua Antilhas. "Ninguém sabia o que eles iriam fazer com as casas que eles compraram. Só descobrimos hoje (ontem) de manhã, quando vimos os tratores derrubando as casas", disse uma vizinha, que pediu para não ser identificada.O Condephaat informou que o remembramento de lotes em área tombada deve ter autorização previa do órgão. O conselho diz que vai solicitar um projeto de intervenção na área.Para a urbanista Lucila Lacreta, do Movimento Defenda SP, o empreendedor só fez a intervenção porque sabe da impunidade. "É inaceitável que pessoas de poder aquisitivo alto continuem ignorando as leis."
Estadão.com.br
IPHAN vai intensificar fiscalização no Centro
SÃO LUÍS - A superintendente regional do Instituto do Patrimônio e Artístico Nacional (IPHAN), Kátia Bogéa, disse hoje, no programa Ponto Final da Rádio Mirante AM, ser inadmissível continuar vendo a maioria dos casarões que compõem o acervo arquitetônico de São Luís serem transformados em estacionamentos na área central da cidade. Segunda ela, o órgão vai continuar fiscalizando esses locais para evitar maior degradação e descaracterização desses prédios de valor cultural inestimável.“Quem vem para São Luís, vem para buscar esse diferencial, que é o nosso patrimônio histórico, no entanto o que se vê é a destruição desse patrimônio histórico. A sociedade civil tem que estar engajada na revitalização desse patrimônio, além de termos políticas voltadas para a recuperação desse acervo. A nossa cidade é a extensão de nossa casa”, declarou Kátia Bogéa.Ela destacou que a sociedade tem que valorizar seus espaços urbanos. “Temos vários candidatos a prefeito de São Luís, que devem propor políticas de proteção do nosso patrimônio histórico”, destacou. O próprio candidato do PMDB, deputado federal Gastão Vieira, recentemente esteve conversando com a superintendente do IPHAN para buscar soluções de revitalização do centro histórico, transformando alguns casarões em abrigos para cursos tanto da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), quanto da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).
Kátia Bogéa ressaltou que apesar de estarmos no século XXI, não podemos perder a história da cidade, descaracterizando o nosso patrimônio maior. “Temos um patrimônio maior da América Latina. Os proprietários desses imóveis podem fazer melhorias em seus casarões, sem perder o foco do patrimônio em detrimento da contemporaneidade. O nosso centro histórico vai da Praia Grande ao Canto da Fabril”.
Blog de Mario Carvalho
Fachada original do Hotel Glória será recuperada em obras de reforma
RIO - O glamour e o ar parisiense que ditaram o bom gosto na década de 20 serão devolvidos ao Hotel Glória em grande – e caro – estilo. Com um investimento inicial de R$ 213 milhões, Eike Batista, o empresário dos impulsos e extravagâncias, pretende reformar e revitalizar um dos ícones do corredor cultural da cidade, trazendo de volta a fachada original e oferecendo aos clientes comodidades de alto luxo.
Segundo Helena Duncan, assessora das empresas de entretenimento de Eike Batista, a construção abrigará a sede da EBX, também de propriedade do empresário mineiro. Embora o anúncio oficial ainda não tenha sido feito, a desocupação do hotel deverá ser concluída até 3 de outubro, véspera do início das obras.
Em nota divulgada à imprensa, Beto Costa, Diretor de Novos Negócios da EBX, enfatiza a preocupação com a recuperação do hotel e com a devolução da aparência existente até as reformas ocorridas no final da década de 50. – O ponto alto do projeto será a tão aguardada reconstituição da fachada original da década de 20 e a valorização de todo o entorno do hotel, que incluirá também o teatro. Com isso, o hotel ressurgirá como um ícone do turismo carioca – acredita.
A Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU) informou que já foram iniciados os trâmites para o processo de licenciamento da obra. Por se tratar de um imóvel que tem a fachada preservada, a Secretaria de Patrimônio Histórico e Cultural (SEDREPAHC) também participará das análises.
Segundo a SMU, as obras deverão começar em um prazo de 30 dias, caso a licença não caia em exigência.
Adeus sem glória
Os cerca de 400 funcionários que integravam o quadro de profissionais do Hotel Glória enfrentaram a notícia da reforma com tristeza e decepção. Para eles, a notícia da aquisição do imóvel pelo empresário Eike Batista veio acompanhada do aviso prévio.
A gerente Diana Pinheiro, 40 anos, contou que cerca de 200 pessoas já foram mandadas embora, o que equivale à metade do número de funcionários.
– O resto de nós vai ficar até o dia da obra porque o serviço tem que continuar sendo feito até o fim – conta. – Alguém tem que ficar para, no final, apagar as luzes.
Bruna Talarico, Jornal do Brasil
Marcadores: patr. cultural


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