ENTRESSEIO

s.m. 1-vão, cavidade, depressão. 2-espaço ou intervalo entre duas elevações. HUMOR, CURIOSIDADES, UTILIDADES, INUTILIDADES, NOTÍCIAS SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE BENS CULTURAIS, AQUELA NOTÍCIA QUE INTERESSA A VOCÊ E NÃO ESTÁ NO JORNAL QUE VOCÊ COSTUMA LER, E NEM DÁ NA GLOBO. E PRINCIPALMENTE UM CHUTE NOS FUNDILHOS DE NOSSOS POLÍTICOS SAFADOS, SEMPRE QUE MERECEREM (E ESTÃO SEMPRE MERECENDO)

29 setembro, 2008

INTERESSA, OU NÃO?

Como funciona o Rosh Hashaná (Ano Novo Judeu)
O shofar, instrumento de sopro feito de chifre de carneiro, é o maior símbolo do Rosh Hashaná

O Rosh Hashaná é um dos mais importantes feriados da religião judaica. Talvez você conheça um pouco sobre essa data e saiba que ela tem algo a ver com maçãs e mel e que é um "Grande Feriado" judaico.
Mas caso não saiba nada sobre o assunto, neste artigo você aprenderá sobre o Rosh Hashaná - a origem do feriado, como ele é celebrado, e do que se trata o "Grande Feriado".
Começaremos com a pergunta mais básica: o que se comemora no Rosh Hashaná?
Entre muitas coisas o Rosh Hashaná simboliza, para a maioria das pessoas, o Ano Novo judaico. Na verdade, o significado de Rosh Hashaná concentra quatro grandes temas que se interligam. São eles:
· o Ano Novo judaico
· o dia do julgamento
· o dia da lembrança
· o dia do toque do shofar

Judeus rezando no Muro das Lamentações, em Jerusalém, durante o Rosh Hashaná

O Rosh Hashaná é um dos dois Grandes Feriados da religião judaica; o outro é o Yom Kipur, que acontece 10 dias após o início do Rosh Hashaná. Estes dois feriados formam o período dos Grandes Feriados e, sem sombra de dúvida, é a época mais significativa do ano judaico, onde é dada aos homens a chance de arrepender-se de seus pecados e pedir perdão a Deus. Durante os Grandes Feriados, os judeus purificam as suas almas e têm a chance de recomeçar com a consciência limpa e com a intenção de serem melhores no ano que se inicia.
De acordo com o
Talmud (site em inglês), Deus criou a humanidade no primeiro dia do mês Tishrei. Sendo assim, o Rosh Hashaná comemora a criação da raça humana. É um tempo de limpeza e renovação, uma chance de receber perdão e de recomeçar sem pecados. A importância do feriado reflete-se em seus dois dias de observância; a maioria dos feriados judeus é celebrada durante um dia apenas.

O calendário judaico
O calendário utilizado em quase todo o mundo é o calendário gregoriano, introduzido em 1582 pelo Papa Gregório XIII. O calendário judaico, que é o calendário oficial em Israel e o calendário religioso para os judeus em todo o mundo, foi instituido por Hillel II por volta do ano de 359. Enquanto o calendário gregoriano baseia-se no sol, o calendário judaico é baseado tanto no sol quanto na lua.

A tradução literal de Rosh Hashaná é "cabeça do ano", e é considerado o ano novo judaico. Mas o feriado não cai no primeiro dia do primeiro mês do calendário judaico. O Rosh Hashaná começa no primeiro dia do sétimo mês, Tishrei, e por isso é como um Ano Novo simbólico (pelo menos em termos do que a maioria das pessoas considera como "Ano Novo"). Na realidade, ele é uma das muitas observâncias que ocorrem durante todo o ano, e este ano novo em particular, sinaliza a oportunidade de deixar os pecados do ano anterior para trás e seguir em frente após receber o perdão de Deus.
Desta maneira, o Rosh Hashaná é o dia do julgamento. Um dos temas mais proeminentes do feriado gira em torno do simbólico "Livro da Vida". A vida de um judeu depende de se ele toma ou não a decisão de fazer correções durante o período do Grande Feriado através do arrependimento (teshuvah), da oração (tfiloh), e da caridade (tzedakah). Este é um momento chave, um tempo para reflexão sobre os erros cometidos, e de decidir perante Deus não repeti-los no próximo ano. Também é uma celebração ao livre arbítrio do homem - tomando a decisão consciente de olhar para dentro de si mesmo, verdadeiramente, ver a sua própria vida e fazer as correções necessárias. Ao exercitar esta escolha que lhe foi dada por Deus, o homem se faz merecedor da misericórdia Divina.
Geralmente, durante o Rosh Hashaná, os judeus dizem uns aos outros "que você seja inscrito e selado no Livro da Vida". O período do grande feriado é a escolha entre vida e morte, virtude e pecado e aqueles que se arrependem estão no caminho certo para serem inscritos no "Livro da Vida", que traz consigo a promessa de um ano bom. A crença é que, durante o Rosh Hashaná, os nomes são escritos no livro e, no Yom Kipur (10 dias depois), o livro é selado. Estes 10 dias são conhecidos como os dias de temor.

O primeiro judeu que chegou ao Brasil
O primeiro judeu que chegou ao Brasil foi o tradutor, Gaspar da Gama, que fazia parte da comitiva de Cabral. Em 1502, empreendedores judeus, tendo à frente o cristão-novo (judeu convertido ao cristianismo) Fernando de Noronha, arrendou da Coroa Portuguesa as terras recém-descobertas. Esse contrato, previa a exploração comercial do território brasileiro, além da construção de fortalezas para defendê-lo.

Assim como o dia da lembrança, o Rosh Hashaná relembra o quase sacrifício de Isaac, que as tradições judaicas afirmam ter acontecido no primeiro dia do mês Tishrei. Segundo a Bíblia, Deus ordenou a Abraão, pai de Isaac, a sacrificar seu único filho como oferenda. Abraão então constrói um altar e se prepara para sacrificar o seu filho para provar sua obediência e fé em Deus. No último momento, um anjo portador da vontade de Deus impediu Abraão de matar Isaac, e apontou para um carneiro preso pelos chifres em um arbusto próximo. O anjo disse a Abraão para sacrificar o carneiro no lugar de Isaac.
Como resultado, Deus abençoou Abraão. Esta história é recordada durante o Rosh Hashaná para lembrar aos judeus que a submissão diante de Deus é o caminho para alcançar a Sua piedade, e que os verdadeiramente virtuosos não questionam a vontade Dele. Eles agem como Deus manda e são recompensados por sua fé.
O último dos principais símbolos do Rosh Hashaná é o shofar, que é um instrumento de sopro feito de chifre de carneiro. O dia do toque do shofar tem várias implicações, mas existem pelo menos três significados amplamente reconhecidos. Um é relembrar a história de Isaac - Deus poupando sua vida como recompensa à fé de Abraão, o outro, para recordar o carneiro que foi sacrificado no lugar de Isaac.

Existem shofars de vários modelos e tamanhos
Além de rememorar a história de Isaac, o shofar também traz à mente uma coroação. Pelo fato de o Rosh Hashaná ser uma celebração da criação dos seres humanos, ele também é a celebração do reinado de Deus sobre os homens. O toque do shofar anuncia e reafirma Deus como governante de toda a humanidade. O som como de uma trombeta do shofar também serve para agitar a alma de todos os judeus, para acordar o povo judaico para a onipotência e onipresença de Deus, para a chance de receber Sua piedade através da oração e do arrependimento.

Os judeus que vieram para o Brasil
Os judeus que imigraram para o Brasil têm duas origens:
1) vieram da Europa Oriental, de países como a Polônia e a Rússia, são chamados de judeus asquenazis; falavam a língua ídiche; uma parte vivia em pequenas aldeias, chamada de "shtetlach";
2) vieram de paises como Egito, Síria e Líbano e, também, Turquia; são chamados de sefaradis; esse grupo era formado pelos judeus que já viviam nos países do Oriente há muitos séculos e também pelos judeus oriundos da Espanha e de Portugal que, no final do século 15, encontraram acolhidas nos países e regiões de maioria islâmica do Império Otomano.


Para ouvir o som do shofar visite
este site (em inglês) do Torah Tots e mova a tela para baixo até "O Shofar".
Como é celebrado o Rosh Hashaná
O Rosh Hashaná é celebrado de diferentes maneiras e modos por diferentes tipos de judeus (veja "Divisões do Judaísmo" abaixo). Entretanto, existem certos métodos e tradições que são básicos na observância do Rosh Hashaná, e assim fazem parte de quase toda a celebração do feriado.
Na Sinagoga
Quanto aos aspectos mais formais do Rosh Hashaná, o que acontece na Sinagoga durante estes feriados é a partida dos serviços "padrão" de sexta-feira a noite e sábados pela manhã do Shabat semanal. Os serviços dos grandes feriados são mais longos do que os serviços do Shabat, que geralmente começam de manhã cedo e vão até o final da tarde. Os judeus também utilizam um livro especial de orações - chamado Machzor - durante os serviços de Rosh Hashaná (e do Yom Kipur). O Machzor contém as orações específicas para os grandes feriados e estabelece este tempo à parte, como sendo de especial importância.
Há um serviço especial de feriado que acontece nos dias ou semanas anteriores ao Rosh Hashaná, chamado Slichot, que significa perdão em hebraico. O Slichot consiste em uma série de orações de pedido de perdão a Deus. Isto significa a preparação do venerador para o Rosh Hashaná, para o arrependimento e um novo recomeço. Estas orações são recitadas especialmente na noite anterior ao Rosh Hashaná, começando normalmente à meia-noite.
Existem várias orações de grande importância para a observância do Rosh Hashaná:
· Avinu Malkeinu
· "Nosso Pai, nosso Rei" - consiste em 44 admissões de culpa, pedindo perdão a Deus por cada pecado.
· Unetane Tokef
· "No Rosh Hashaná o nosso destino é escrito; ao final do Yom Kipur ele é selado. Quem deve viver e quem deve morrer? Quem deve morrer pelo fogo e quem deve morrer pela água?"
· Musef Amidah
· As orações que acompanham o toque do shofar.
· As três bençãos: reconhecer o poder de Deus sobre toda a criação, relembrar a história judaica e relacionar o toque do shofar aos eventos do passado e ao futuro do judaísmo.
O shofar é tocado enquanto são feitas as orações. Existem maneiras específicas de tocar o shofar, com a intenção de acordar os judeus para o julgamento de Deus e afirmar Sua posição como juiz e rei.


O shofar é tocado na Sinagoga durante os serviços do Rosh Hashaná


As leituras do Torá para o Rosh Hashaná são relativas tanto ao nascimento de Isaac - filho de Abraão e Sara, que acreditava-se fosse estéril até que um dia, com a idade de 100 anos, Deus a abençoou com um filho - quanto ao quase sacrifício de Isaac, quando Deus poupou a sua vida porque Abrãao provou sua fé absoluta em Sua palavra.
Outras orações e costumes


As saudações do Rosh Hashaná
· Shana tova - "Um bom ano".
· L'shaná tova tikatevu - "Possam vocês serem inscritos para um bom ano".
· L'shaná tova tikatevu v'tehateimu - "Possam vocês serem inscritos e selados para um bom ano".


Em outra prática Rosh Hashaná conhecida como Tashlich, os judeus fazem orações especiais enquanto atiram migalhas de pão (ou algo parecido) em um rio ou fonte de água. As migalhas de pão simbolizam os pecados da pessoa, que são então levados embora.
As práticas de acender velas e do ditado kidush - uma benção sobre o vinho - são procedimentos sagrados no judaísmo por fazerem a introdução ao Shabat ou a quaisquer outros dias santos. Para o Rosh Hashaná, as velas (geralmente duas) são acesas com orações especiais ou cânticos. O Chalá é um pão especial que também acompanha a celebração do Shabat e, no Rosh Hashaná, ao invés de trançado, ele é redondo simbolizando o círculo infinito da vida e a coroa do reinado de Deus sobre os homens. Algumas pessoas pincelam o chalá com mel ao invés de sal enquanto ele está assando; isto significa o desejo Rosh Hashaná por um "ano novo doce", e também costuma-se mergulhar maçãs no mel. De fato, durante o Rosh Hashaná come-se todo tipo de comidas doces.


As maçãs e o mel simbolizam a esperança por um ano doce

No Rosh Hashaná, para expressar a importância da ocasião, é costume arrumar a mesa de jantar com linho e louça finos e usar roupas novas e especiais. Na tradição sefardita, muitas pessoas colocam cestos de frutas cobertos sobre a mesa - colocados de maneira que ninguém saiba exatamente que frutas estão lá dentro - da mesma maneira que nós não sabemos o que o ano novo nos reserva.
Julia Layton - traduzido por HowStuffWorks Brasil
http://pessoas.hsw.uol.com.br/ano-novo-judeu.htm

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19 setembro, 2008

INTERESSA, OU NÃO?

Pesquisa sobre 'Jesus histórico' retrata Cristo mais humano, mas não ameaça fé
Anúncio do Reino de Deus, judaísmo e humildade marcam Nazareno.
Evangelhos mesclam fatos e interpretações feitas por grupos cristãos.
É um bocado irônico que o personagem mais influente da história humana também seja um dos mais misteriosos. Jesus de Nazaré não tem data de nascimento ou morte registrada com segurança (embora seja possível estimá-las com margem de erro de dois ou três anos); não deixou nada escrito de próprio punho (há até quem argumente que ele provavelmente era analfabeto); não restou um único artefato do qual se possa dizer com certeza que pertenceu a ele.
Os relatos de seus seguidores, escritos entre duas e seis décadas após a morte na cruz, falam com riqueza de detalhes de um período curtíssimo de sua vida adulta, elencando seus atos e ensinamentos, mas nos deixam no escuro sobre a maior parte de sua infância e adolescência, suas angústias pessoais e seu relacionamento com amigos e familiares.
A situação pode soar desesperadora ao extremo para um historiador que, sem recorrer à fé cristã, queira reconstruir a vida e a mensagem desse judeu singular. Mas a situação é menos complicada do que parece. Por um lado, é preciso reconhecer que os Evangelhos, principais narrativas sobre Jesus na Bíblia cristã, não são livros históricos no sentido moderno do termo. “Os textos dos Evangelhos, todos eles, são uma combinação de elementos históricos e interpretações feitas posteriormente no âmbito das comunidades cristãs", lembra o padre Léo Zeno Konzen, coordenador do curso de teologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (RS).
Trocando em miúdos: os evangelistas (conhecidos entre nós pelos títulos tradicionais de Mateus, Marcos, Lucas e João) estavam tão preocupados em relatar o que tinha acontecido com Jesus e os apóstolos 50 anos antes quanto em tornar esses fatos relevantes para seu público, formado por cristãos nascidos depois que seu Mestre morrera na cruz. A boa notícia, porém, é que a leitura crítica e cuidadosa dessas narrativas é capaz de resgatar grande parte da vida terrena de Jesus.
O retrato que emerge desse esforço é, em certos aspectos, familiar para qualquer cristão, ao mesmo tempo em que humaniza o Nazareno. O chamado Jesus histórico é uma figura humilde, que põe sua mensagem - o anúncio da chegada do Reino de Deus - acima de qualquer preocupação com sua própria importância. Não se comporta como uma entidade superpoderosa ou onisciente. E coloca em primeiro lugar a história e o destino do povo de Israel, ao qual pertence. É um Jesus que pode ajudar os cristãos a repensarem a origem de sua própria fé - mas difícilmente é uma ameaça a ela, a menos que se acredite que todo versículo dos Evangelhos é verdade literal, como se fosse um filme do que aconteceu no ano 30 d.C.
Suposto 'túmulo de Jesus': Idéia nunca foi comprovada (Foto: 'New York Times')
Homem invisível
Volta e meia ressurge a esperança de que os Evangelhos não serão mais a principal (ou mesmo a única) fonte sobre o Jesus histórico. Há quem coloque suas fichas em achados arqueológicos, como inscrições, túmulos e textos antigos. Dois exemplos recentes desse tipo de pesquisa, porém, não tiveram um resultado dos mais gloriosos.
Em 2002, foi a vez do chamado Ossuário de Tiago, uma caixa de pedra feita originalmente para conter o esqueleto de um homem que morreu em Jerusalém no século 1. No artefato havia uma inscrição em aramaico (língua aparentada ao hebraico que era a mais falada entre os judeus do tempo de Cristo), com os dizeres: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. O ossuário, afirmavam alguns especialistas, teria pertencido a Tiago, irmão ou primo de Jesus que liderou a igreja cristã de Jerusalém até o ano 62 d.C. Mas análises mais detalhadas comprovaram que o pedaço crucial da inscrição (“irmão de Jesus”) foi adicionado por um falsificador do século 21.
Um bafafá parecido cercou, em 2006, novas análises de outros ossuários de Jerusalém, originalmente desenterrados nos anos 1980. Num mesmo jazigo familiar estavam enterrados “Jesus, filho de José”, Maria (a mãe dele?), Mariamne (supostamente, Maria Madalena) e outras pessoas cujos nomes lembram os de personagens do Novo Testamento. Um documentário produzido por James Cameron (ele mesmo, o criador de "Titanic") defendeu que os ossuários eram a prova de que Jesus tinha se casado com Maria Madalena. Os defensores da tese argumentam que seria muito improvável a ocorrência conjunta desses nomes na Jerusalém do século 1 d.C. sem que houvesse uma ligação com Jesus de Nazaré. Nenhum estudioso sério do Jesus histórico, contudo, dispôs-se a comprar a idéia – calcula-se que, só na Cidade Santa, teriam vivido mais de mil “Jesus, filhos de Josés” nessa época.
Esses fracassos talvez tenham uma explicação muito simples: a pessoa de Jesus pode ser “invisível” para a arqueologia. “E não só ele como quase toda a primeira e a segunda geração de cristãos. São pessoas periféricas, gente muito simples, de origem rural”, afirma André Leonardo Chevitarese, historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Romanos e judeus de classe alta construíam palácios e tinham selos (carimbos) pessoais feitos com metal ou pedra preciosos; carpinteiros e pescadores da Galiléia (a terra natal de Jesus, no norte de Israel), por outro lado, podiam passar a vida inteira usando apenas materiais perecíveis. Chevitarese, aliás, é cético até em relação à idéia de um enterro formal para Jesus.
“Em todo o mundo romano, o costume era abandonar o cadáver na cruz, para ser comido por abutres ou cães”, lembra o historiador da UFRJ. Ele também diz ser suspeita a figura de José de Arimatéia, judeu rico e simpatizante secreto de Jesus que teria obtido seu corpo e organizado seu sepultamento, segundo os Evangelhos.
“Camponeses como os seguidores de Jesus não teriam como se dirigir a Pilatos para exigir o corpo. Assim, os evangelistas enfrentam o problema de explicar o sepultamento de Jesus e usam a figura de José de Arimatéia, que praticamente cai de pára-quedas na narrativa”, diz. Por outro lado, há pelo menos um registro de crucificado judeu que teve um sepultamento digno – Yehohanan (João), filho de Hagakol, cujo ossuário foi descoberto por arqueólogos israelenses em 1968. O osso do calcanhar de Yehohanan ainda continha o cravo usado para pregá-lo na cruz.
Fora algum tremendo golpe de sorte, o máximo que a arqueologia pode fazer é iluminar a vida cotidiana no tempo de Jesus (indicando em que tipo de casa ele vivia ou que modelo de taça ele teria usado para beber vinho com seus discípulos) ou como era a religião judaica naquela época. Esse provavelmente é o caso de um misterioso texto do século 1 a.C., pintado numa pedra e analisado por Israel Knohl, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Em julho passado, Knohl apresentou sua interpretação do texto (o qual não está inteiramente legível e, por isso, tem de ser reconstruído hipoteticamente): ele mencionaria a morte e ressurreição de um Messias décadas antes do nascimento de Jesus. Ainda que a interpretação esteja correta, é difícil ver como ela mudaria nossa compreensão sobre as origens do cristianismo: afinal, um dos grandes argumentos dos seguidores de Jesus é justamente que seu retorno dos mortos já tinha sido previsto nas profecias judaicas.
O meu, o seu, o nosso Jesus
Se a invisibilidade arqueológica não ajuda, a imaginação e as preocupações modernas também atrapalham um bocado. No esforço de tornar o Jesus histórico relevante para a nossa época, ou como forma de polemizar com as atuais religiões cristãs, pesquisadores como o historiador irlandês John Dominic Crossan defendem que Cristo não se preocupava com a vida eterna ou o Juízo Final, mas pregava uma ética totalmente centrada no aqui e no agora, influenciada pela cultura grega. Outros enfatizam seu lado de revolucionário político, ou mesmo o retratam como uma espécie de mago itinerante, cujos milagres não passavam de truques.
“Acho que isso equivale a esvaziar Jesus”, avalia Chevitarese. "Não se pode tirá-lo do seu contexto judaico nem eliminar seu lado apocalíptico e escatológico [o de um profeta que espera o final dos tempos e a consumação da história humana]”, diz o historiador da UFRJ. Isso não quer dizer, por outro lado, que a pregação de Jesus fosse completamente isenta de idéias sobre a sociedade e a política. “A própria escatologia judaica também tem um substrato político”, lembra Luiz Felipe Ribeiro, professor da pós-graduação em história do cristianismo antigo da Universidade de Brasília (UnB). Ele cita um exemplo cristão, o livro do Apocalipse, que pode ser lido tanto como uma previsão do fim do mundo quanto um ataque contra a opressão romana que afetava os cristãos.
Para John P. Meier, professor da Universidade Notre Dame (EUA) e autor da monumental série de livros "Um Judeu Marginal" (ainda não concluída) sobre o Jesus histórico, o pregador de Nazaré resume e mistura o espiritual, o social e o político na frase-chave de seu anúncio profético: o “Reino de Deus”. Essa é a tradução mais comum em português do grego hé basilêia tou Theou, cujo sentido provavelmente está mais para “o Reinado de Deus” – a idéia de que Deus estava prestes a intervir dramaticamente no mundo, resgatando seu povo de Israel, instaurando seu domínio de justiça e paz e incluindo até os povos pagãos entre seus escolhidos nesse Universo transformado.
“Isso explica por que Jesus parece relativamente despreocupado em relação a problemas sociais e políticos específicos. Ele não estava pregando a reforma do mundo; estava pregando o fim do mundo”, escreve Meier. No entanto, em vez de se concentrar nos terríveis tormentos que aguardariam os pecadores que não se arrependessem, o profeta da Galiléia ressaltava que o Reinado de Deus era um poder misericordioso, aberto a todos os que o recebessem.
Não é à toa que algumas autoridades judaicas, ou o grupo dos fariseus (algo como “separados”, em hebraico) ficavam escandalizados com o lado festivo da vida de Jesus e seus discípulos. Afinal, eles não hesitavam em comer e beber com cobradores de impostos, prostitutas e outros “pecadores notórios” da sociedade israelita, como sinal da proximidade e da inclusão do Reino.
“Proximidade”, aliás, talvez não seja a palavra exata: ao mesmo tempo em que Jesus via o Reinado de Deus como uma promessa a se realizar no futuro próximo, também insinuava que esse Reino já estava presente no ministério do próprio Cristo, diz Meier. “As curas e os exorcismos realizados por Jesus não seriam, portanto, meros atos isolados de bondade e compaixão: estariam mais para demonstrações dramáticas de que o Reino de Deus já estava chegando a Israel”, afirma o pesquisador. Não dá para forçar a mão de Deus, diz Jesus: seu Reinado é um ato espontâneo de misericórdia, voltado não para quem o merece, mas para quem mais precisa dele – os pobres, os famintos, os que choram. Não é à toa que esse Deus recebe de Jesus o apelido de Abbá – nada menos que “papai” em aramaico.
Mais importante ainda, Jesus se apresenta como o mediador para os que querem participar do Reinado de Deus: rejeitar sua mensagem equivale a rejeitar a ordem divina. E, como registram os Evangelhos, a proclamação é voltada exclusiva ou principalmente a judeus como Jesus. Não é à toa que ele escolhe os Doze Apóstolos (provavelmente simbolizando as doze tribos de Israel, espalhadas pelo mundo, que Deus deveria reunir no fim dos tempos) e ordena que eles se dirijam apenas às “ovelhas perdidas da casa de Israel”. Para Jesus, a imagem desse Reino de Deus consumado é a de um banquete – e, paradoxalmente, ele chega a afirmar que alguns de seus compatriotas judeus, os que não o aceitam, poderão ser os barrados no baile, enquanto gente “do Oriente e do Ocidente” – os pagãos – acabam sendo incluídos.
Retrato múltiplo
É possível extrair essas linhas gerais da missão de Jesus do material do Novo Testamento, mas é bem mais complicado afirmar se, durante sua vida terrena, Cristo considerava ser Deus encarnado, como diz o dogma cristão, ou mesmo tinha consciência plena de que sua morte na cruz serviria para redimir a humanidade, outra idéia que é central para a cristandade moderna.
O interessante, afirma Chevitarese, é que os textos do Novo Testamento parecem mostrar a convivência de várias visões sobre como e quando os cristãos consideravam que Jesus teria assumido seu status de Cristo, ou seja, de "ungido" (escolhido) e Filho de Deus. “Para Paulo [autor dos textos provavelmente mais antigos do Novo Testamento, datados por volta do ano 50], Jesus é o Cristo porque ressuscitou. O Evangelho de Marcos traz esse papel já para o batismo de Jesus feito por João Batista. Os Evangelhos de Mateus e Lucas recuam isso para o nascimento dele, enquanto João vê Cristo como preexistente ao próprio mundo. São quatro cristologias [visões sobre a natureza de Jesus] diferentes convivendo num espaço de 50, 60 anos.”
Como judeu, seria impensável para Jesus se colocar publicamente como igual a Deus, afirma Luiz Felipe Ribeiro. “Agora, isso não quer dizer que não houvesse uma autocompreensão de Jesus na qual ele se via como mais do que humano, uma autocompreensão messiânica, digamos.” Seria essa uma possível explicação para o misterioso título “Filho do Homem”, aparentemente empregada por Jesus para designar a si mesmo. Esse personagem aparece em vários escritos apocalípticos judaicos, muitos dos quais surgidos pouco antes do nascimento de Cristo. “Mas nem mesmo ali o Filho do Homem é igual a Deus - ele é mais um vice-regente, um segundo em comando”, diz Ribeiro.
Essas incongruências só são conhecidas porque os Evangelhos, apesar da fé religiosa por trás de sua composição, preservam uma trilha de pistas sobre o lado humano de Jesus. Tais pistas fortalecem o chamado critério do constrangimento, uma das principais maneiras de decidir se um fato ou uma fala do Novo Testamento remonta ao Jesus histórico. A idéia é que os evangelistas não inventariam passagens capazes de lançar dúvidas sobre o poder ou onisciência de Jesus.

João Batista e Jesus em quadro renascentista (Foto: Reprodução)

O caso clássico do critério do constrangimento é o batismo de Cristo por João Batista no rio Jordão, afirma Emilio Voigt, doutor em Novo Testamento e professor da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo (RS). “Se o batismo de João é para o arrependimento [dos pecados], porque Jesus precisaria ser batizado? Como Jesus, o Messias, poderia ser batizado por alguém teoricamente inferior a ele?”, diz o pesquisador. Segundo Voigt, a tradição cristã resolve isso por meio do “testemunho” de João – afirmações do profeta de que ele teria vindo apenas para proclamar a chegada de Jesus e de que, na verdade, não seria nem digno de batizá-lo.
Uma série de outros eventos constrangedores aparecem nos Evangelhos: os parentes de Jesus e os moradores de Nazaré o rejeitam como profeta, ele diz que “somente o Pai” conhece a hora da chegada do Reino, teme a aproximação da morte e, pregado na cruz, pergunta por que Deus o abandonou. Para John P. Meier, o registro de tantas situações potencialmente desencorajadoras sobre Jesus revela que os evangelistas estavam seguindo uma tradição histórica estabelecida e que eles não se sentiam totalmente livres para alterá-la a seu bel-prazer. E esse conservadorismo aumenta, de certa forma, a confiabilidade do "esqueleto" básico de fatos apresentado em tais textos.
Verdadeiro homem, verdadeiro Deus
Levando tudo isso em consideração, a fé cristã pode sair abalada ao confrontar o Jesus histórico? Os especialistas apostam que esse risco é menor do que parece. “A pesquisa histórica ajuda a compreender a atividade de Jesus e a contextualizar a fé. Pode ameaçar alguns dogmas eclesiásticos, mas não a fé propriamente dita”, diz Voigt, que também é pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IELCB).
“Creio que o processo de formação das pessoas de fé cristã deve ajudar a perceber a riqueza que se encontra justamente no processo de interpretar os acontecimentos. Não podemos ler a Bíblia ao pé da letra. Como pessoas de fé, nossos antepassados vivenciaram processos muito criativos de leitura dos acontecimentos, atribuindo-lhes significados que, à primeira vista, não eram perceptíveis nem imagináveis. A Bíblia toda foi construída assim”, pondera o padre Léo Konzen.
“Apesar de ser a personificação do Divino, aqui na Terra Jesus era apenas um homem bruto, pobre, tão comum que dependia de muita oração e da ação do Espírito Santo para realizar seus feitos. Seria muito fácil se Ele morresse na cruz tendo a certeza de que era eterno. Mas era homem e, como homem, não tinha uma memória divina”, diz René Vasconcelos, estudante de teologia da Faesp (Faculdade Evangélica de São Paulo) e membro da denominação evangélica Assembléia de Deus.
Essa, aliás, é uma das pedras fundamentais da fé de quase todas as igrejas cristãs: Jesus é verdadeiro Deus, mas também é verdadeiro homem. A primeira parte da frase não pode ser comprovada ou refutada pela pesquisa histórica, mas a segunda metade dela também é capaz de tornar Jesus relevante para crentes – e até para agnósticos ou ateus – durante muito tempo ainda.
Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

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30 junho, 2008

PAPA NÃO VESTE PRADA

Após anos de especulações de que o papa Bento 16 usava sapatos da grife Prada, o jornal oficial do Vaticano negou a história, chamando-a de "frívola".
No ano passado, a revista "Esquire" classificou os sapatos do pontífice como o "acessório do ano". Os fashionistas diziam que os calçados de couro vermelho provavelmente eram feitos pela grife italiana.
Como o Vaticano não negava nem confirmava a informação, os rumores continuaram a circular, até que o "Osservatore Romano" publicou uma nota condenando as matérias que, segundo o jornal, deram um ar de futilidade à autoridade máxima da Igreja Católica.
A inclusão do papa na lista da "Esquire" de homens mais bem vestidos do mundo foi, segundo o jornal, "de uma frivolidade que é muito característica de uma era que tende a banalizar e não compreender".
O artigo explica que os sapatos do papa, assim como sua coleção de chapéus extravagantes, não têm nada a ver com vaidade, mas sim com tradição. "Resumindo, o papa não veste Prada, mas Cristo", disse.
O artigo não especificou quem faz os sapatos do religioso.
As roupas de Bento 16 costumam chamar atenção. Em recentes passagens pela praça São Pedro, ele se protegeu do sol com um chapéu de enorme aba conhecido como "Saturno", devido aos anéis do planeta.
No Natal de 2005, ele encantou os romeiros ao aparecer com um gorro vermelho e uma capa escarlate, ficando parecido com Papai Noel.
O "Osservatore" informou que os acessórios estão longe de ser itens fashion. Na verdade, são peças papais tradicionais, usadas por diferentes pontífices ao longo da história.
ROBIN POMEROY
da Reuters, em Roma

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22 maio, 2008

O FERIADO DE HOJE: CORPUS CHRISTI

Corpus Christi (latim para Corpo de Cristo) é uma festa móvel da Igreja Católica que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade ou Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório assistir à Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.
A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código Canônico (art. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (art. 395).
História
A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Santa Igreja sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. A ‘Fête Dieu’ (Festa de Deus) começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica.
O ofício foi composto por São Tomás de Aquino o qual, por amor à tradição litúrgica, serviu-se em parte de Antífonas, Lições e Responsórios já em uso em algumas Igrejas.
A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.
A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse :‘Este é o meu corpo...isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.
A Festa no Brasil
Em muitas cidades portuguesas e brasileiras é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa. Esta festividade de longa data se constitui uma tradição no Brasil, principalmente nas cidades históricas se revestem de práticas antigas e tradicionais são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais. No Pará, no município de Capanema é uma tradição os tapetes de serragem colorida cobrindo as ruas por onde passa a procissão de Corpus Christi.
Em Castelo, no estado do Espírito Santo, as ruas são decoradas com enormes tapetes coloridos formados por flores, serragem colorida e grãos. Em São Paulo, o município de Matão é famoso por seus tapetes coloridos feitos de vidro moído, serragem e flores que formam uma cruz no centro da cidade. A cidade de Mariana - MG comemora a festa de Corpus Christi enfeitando as ruas com tapetes de serragem e pinturas. São Joaquim da Barra - SP e Jacobina - BA também seguem o mesmo estilo, as ruas ao redor da matriz são enfeitadas com serragem, raspa de couro, areias coloridas, tudo o que a criatividade proporciona para este dia santo.
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16 maio, 2008

GALILEU, EX-HEREGE, GANHA ESTÁTUA NO VATICANO

Nunca é tarde. Depois de escapar por pouco da fogueira da Inquisição por ter defendido a tese de que a Terra girava em torno do Sol, o astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) será, enfim, abençoado pela Igreja Católica, com uma estátua em sua homenagem nos jardins do Vaticano em 2009.
Galileu, que foi forçado a negar a tese heliocêntrica diante do tribunal do Santo Ofício, teve seu processo revisto 350 anos depois de sua morte, em 1992, quando a Igreja admitiu seu erro e absolveu o astrônomo. A inauguração da estátua de Galileu, em tamanho natural, no Vaticano, coincidirá com o Ano Internacional da Astronomia, proclamado pelas Nações Unidas, para comemorar os 400 anos da primeira utilização do telescópio para observar os astros, por Galileu, no verão de 1609. A peça, aliás, pode ser vista na exposição O telescópio de Galileu, instrumento que mudou o mundo, em cartaz no Museu da História da Ciência, em Florença, até o fim do ano.
Graziella Beting é jornalista e tradutora

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