ENTRESSEIO

s.m. 1-vão, cavidade, depressão. 2-espaço ou intervalo entre duas elevações. HUMOR, CURIOSIDADES, UTILIDADES, INUTILIDADES, NOTÍCIAS SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE BENS CULTURAIS, AQUELA NOTÍCIA QUE INTERESSA A VOCÊ E NÃO ESTÁ NO JORNAL QUE VOCÊ COSTUMA LER, E NEM DÁ NA GLOBO. E PRINCIPALMENTE UM CHUTE NOS FUNDILHOS DE NOSSOS POLÍTICOS SAFADOS, SEMPRE QUE MERECEREM (E ESTÃO SEMPRE MERECENDO)

26 setembro, 2008

INTERESSA, OU NÃO?

SISDEM - Simpósio Internacional sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla
A ADefAV/CRIFES – CENTRO DE RECURSOS PARA A INCLUSÃO NA FAMÍLIA, ESCOLA E
SOCIEDADE para pessoas com surdocegueira, deficiência visual e deficiência múltipla, realizará, de 9 a 11 de outubro, em São Paulo (SP), o Simpósio Internacional sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla [SISDEM].
O evento abordará o tema "Inclusão Social: interfaces entre educação, saúde e políticas públicas" e as principais propostas são: criar um fórum propício ao debate de temas realacionados com a surdocegueira e a deficiência múltipla; compartilhar experiências e congregar profissionais e estudantes de educação, saúde e áreas afins, pessoas com deficiências e familiares com o terceiro setor e órgãos públicos; difundir conhecimento científico e propor sugestões e ações para a prevenção e intervenção na área, que possibilitem a inclusão educacional e social.
O Simpósio será na Universidade Paulista [Unip], campus Luís Góes (Rua
Luís Góes, 2211), das 8h às 18h.
Outras informações pelos números (11) 2273-9333 ou pelo endereço
sisdem@adefav.org.br

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16 setembro, 2008

SAÚDE

Mamãe é Down
Há no mundo cerca de 30 casos documentados de mulheres com a síndrome que deram à luz. Uma delas é Maria Gabriela, mulher de Fábio e mãe da pequena Valentina
EM FAMÍLIA
Valentina não herdou a deficiência intelectual do pai, Fábio, nem a síndrome de Down da mãe, Gabriela
Tio, a barriga da Gabriela está dando socos. ”Foi assim, no meio de um bate-papo inocente, que o estudante Fábio Marchete de Moraes, de 28 anos, deixou escapar que ele e a mulher brincavam de “examinar” o ventre dela.
Fábio não imaginava que as pancadinhas partiam de uma criança em gestação. Maria Gabriela Andrade Demate, a dona da barriga, também de 28 anos, não fazia idéia de que estava grávida. Embora estivessem juntos havia três anos, dividindo o mesmo teto e a mesma cama, Fábio e Gabriela acreditavam que o sexo entre eles fosse proibido. Seus pais nunca tinham dito, de
maneira explícita, que permitiam esse tipo de intimidade. Gabriela tem síndrome de Down. Fábio é deficiente intelectual.
Foi por desconfiar do abdome saliente de Gabriela que o amigo de Fábio procurou a mãe da jovem. “Os dois vêm a minha choperia quase todos os dias e me chamam de tio”, diz Vlademir Cypriano. “Eles me contam coisas que não falam para mais ninguém.” Um teste de farmácia, comprado às pressas, não foi suficiente para eliminar a suspeita. “Mesmo vendo as duas listrinhas do exame, não acreditava que a minha filha estivesse grávida”, afirma Laurinda Ferreira de Andrade.
“Levei Gabriela a três ginecologistas e nenhum deu certeza de que ela pudesse ter um bebê. Percebi que estava ficando mais gordinha. Mas achei que fosse por comer demais”. A gestação
avançada, descoberta aos seis meses, gerou pânico e encheu a família de dúvidas. Até o nascimento prematuro de Valentina, transcorreram cerca de 60 dias. “Foram os mais longos da minha vida”, diz Laurinda. “Minha filha não tinha feito o pré-natal desde o início, como é recomendado. Por causa da síndrome de Down, ela poderia ter problemas cardíacos. A gravidez era de risco”.
Apesar de o processo de inclusão dos deficientes na sociedade estar distante da perfeição, Gabriela representa uma geração que tem desbravado caminhos. Quando ela nasceu, em 1980, não era comum avistar crianças Downs nos arredores de Socorro – município paulista de 33 mil habitantes fincado na divisa com Minas Gerais, onde Gabriela cresceu – nem pelas ruas de
grande parte das cidades brasileiras. “Na hora do parto, perguntei ao médico: ‘Doutor, a minha filha é perfeita?’”, diz Laurinda. “Ele me respondeu: ‘O que é ser perfeita? É ter braços? Pernas? Então ela é perfeita’”.
Embora desconfiassem do diagnóstico, nenhum profissional do hospital revelou à família a deficiência de Gabriela. Afirmaram apenas que ela tinha algum “problema genético”. Ao deixar a maternidade, Laurinda procurou ajuda. “Foi um choque descobrir que a minha filha era Down. O
médico me contou da pior forma possível. Disse que ela ia ter um monte de doenças, ter problemas cardíacos e ia morrer. Até que uma amiga me alertou que eu teria de escolher entre fechá-la dentro de casa ou abri-la para o mundo. Vesti a Gabriela com a melhor roupa e saí.”
A desinformação – que em parte se deve aos próprios profissionais de saúde – perpetua um mito que a ciência já derrubou. É raro, mas mulheres Downs podem engravidar. “No mundo todo, há apenas cerca de 30 casos documentados de mulheres Downs que tiveram filhos”, diz Siegfried M. Pueschel, geneticista do Rhode Island Hospital, nos Estados Unidos, um dos maiores
estudiosos da síndrome.
Os homens são quase sempre estéreis. Na literatura médica, há só três casos descritos de pais Downs. Com as mulheres é diferente. “Um terço delas é fértil. Um terço ovula irregularmente. E um terço não ovula”, afirma o geneticista Juan Llerena Junior, do Instituto Fernandes Figueira,
uma unidade da Fiocruz. “Hoje, os jovens que têm a síndrome estão mais expostos à vida social e ao sexo. Muitos deles trabalham, têm amigos, saem para se divertir. Antes não era assim. Eles ficavam mais reclusos”, diz Pueschel.
A postura positiva de Laurinda, mãe de Gabriela, foi determinante no desenvolvimento da filha. Gabriela deu os primeiros passos sozinha aos 2 anos e 8 meses. Na infância, tinha medo de água e de andar de bicicleta. Afogava-se na piscina, mas pulava de novo até aprender a nadar. Ao andar
de bicicleta, caía. Ralava as pernas. Subia de volta e pedalava. Apesar dos hematomas que ganhava nas aulas de judô, lutou para chegar à quarta faixa. Gabriela resistiu aos golpes – e revidou –, a ponto de pendurar uma medalha no peito. Dançou balé. Foi rainha de bateria de escola de samba e tocou tamborim numa ala dominada por homens. Gabriela fica indignada por
não dirigir. “Se todo mundo pode, por que eu não posso?”, diz. Em Socorro, cidade do interior paulista onde vive, ela é mais popular que o prefeito.
Todo mundo conhece um pouco de sua história.
Gabriela cresceu longe do pai, aprendendo com a mãe e os dois irmãos a não se conformar. “Um deficiente não rende se for poupado. Teria sido mais confortável ser uma mãe superprotetora. Mas eu decidi criar minha filha para o mundo”, afirma Laurinda. Até se descobrir grávida, Gabriela não parava quieta. Fazia aulas de equitação e treinava musculação. Foi na adolescência que ela começou a demonstrar interesse por meninos. Teve permissão para namorar. Para a mãe, um relacionamento estável e às vistas da família poderia afastá-la de eventuais aproveitadores.
O primeiro eleito de Gabriela foi Eric, um colega Down da Apae. O namoro correu bem durante anos. Até que Fábio, um amigo de infância que voltou a freqüentar a instituição, embaralhou a cabeça dela. Gabriela o paquerou. Ele resistiu. Gabriela insistiu. Fábio cedeu. Durante dois meses, Gabriela levou os dois namorados em banho-maria. O triângulo amoroso terminou
quando Laurinda exigiu que a filha tomasse uma decisão. A opção dela por Fábio fez Eric virar uma fera. Os dois rapazes chegaram a se pegar numa festa de aniversário. Fábio ainda sente ciúme quando Gabriela encontra antigos colegas da Apae. Eric faz cara feia quando cruza o rival.
Em pouco tempo, Fábio e Gabriela estariam morando juntos. Não foi nada cuidadosamente planejado. O casal tinha dois quartos montados. Um na casa da mãe dele, a oficial de Justiça Benedita Aparecida Marchete, no centro de Socorro. Outro no sítio de Laurinda. Os 5 quilômetros que separavam as duas residências se mostraram distantes demais para os namorados.
“Gabriela trouxe suas coisas aos poucos”, diz Benedita. “Um dia vinha dormir em minha casa e deixava algumas peças de roupa para trás. No dia seguinte, trazia mais. Ela foi ficando”.
As famílias de Fábio e Gabriela acharam prudente não separar o casal.
Laurinda foi criticada. Mexeriqueiros da cidade comentavam que ela havia “largado” a filha. Alheios ao que os outros diziam, Fábio e Gabriela se tornavam mais e mais cúmplices. Ela faz questão de cuidar da saúde dele.
Fica brava se a sogra tenta se antecipar e dar o anticonvulsivo diário para o filho. É Gabriela quem escolhe as roupas, faz a barba e lava os cabelos negros de Fábio. Ele não deixa por menos. Os 4 graus de hipermetropia fizeram Gabriela tão dependente de óculos que ela não os
tirava do rosto nem para dormir – e não permitia que ninguém tivesse essa liberdade. Fábio contornou a mania. Todas as noites, espera Gabriela pegar no sono para tirar os óculos de seu rosto e soltar seus cabelos longos, lisos e loiros. Só depois ele adormece.
A chegada de Valentina, hoje com 5 meses, mudou a rotina de toda a família de Gabriela. O tio Frederico, estudante de Artes Cênicas na mineira Ouro Preto, visita Socorro com mais freqüência. Outro tio, Júnior, um dentista cheio de pacientes nas redondezas, costuma abrir espaço na agenda para zelar pela sobrinha. A avó Laurinda passou a viver com a neta. Deixou para trás um confortável sítio para morar a 70 metros da casa da filha e do genro. Tudo para que Valentina cresça junto dos pais. Apesar de viverem com a mãe dele, Gabriela e Fábio não passam um dia longe da menina. Sob a supervisão da avó Laurinda, Gabriela dá mamadeira, troca fraldas, brinca e cuida de Valentina. Fábio não costuma pegar a filha no colo porque ainda
tem receio de derrubá-la. No bolso, carrega todo orgulhoso um celular com
a foto de Valentina. “Ela vai aprender a chamar o meu nome”, diz.
Fábio nasceu de cesariana. Dois dias depois, começou a apresentar
problemas respiratórios. Passou uma semana na incubadora. “O neuropediatra disse que ele deve ter tido uma queda abrupta de açúcar ou cálcio. Como não conseguia respirar, o lado esquerdo do cérebro foi afetado”, afirma Benedita. Fábio começou a andar depois dos 2 anos. Tem problemas motores e na fala. Sua dificuldade com as palavras (somada ao descaso de uma
funcionária do cartório de Socorro) atrasou quase três meses o registro do nascimento de Valentina. Fábio não conseguia pronunciar seu endereço e o nome completo da menina: Valentina Andrade Demate e Marchete Moraes. O caso precisou parar na Justiça para que Valentina tivesse o nome do pai e da mãe na certidão. Como Fábio não sabe escrever, Gabriela assinou o documento.
UNIDOS
A avó Laurinda (à frente) foi morar com a neta a 70 metros da casa da filha e do genro
Valentina não tem síndrome de Down. Segundo Laurinda, os médicos também descartaram a hipótese de a menina ter herdado as características de Fábio, já que a deficiência dele não teria origem genética. “A probabilidade de uma mulher Down gerar um filho com a síndrome é de 50%”, diz o pediatra Zan Mustacchi, responsável pelo Departamento de Genética
Clínica do Hospital Infantil Darcy Vargas, em São Paulo. Pelo menos metade dos embriões Downs não chega a nascer. Terminam em abortos espontâneos.
Estima-se que sul-americanas têm, em média, um bebê Down para cada 600 nascidos vivos. Grande parte do risco está relacionada à idade materna e é maior no início e no final da vida reprodutiva. “Sempre se falou sobre a ‘culpa’ da mulher. Hoje, sabemos que em 20% dos indivíduos Downs o material cromossômico a mais veio do pai, não da mãe”, diz Mustacchi.
Esclarecer os mitos sobre a síndrome traz benefícios à sociedade. Há cinco décadas, os Downs raramente chegavam à idade adulta. Problemas cardíacos congênitos que afetam quase metade deles e não eram diagnosticados, aliados à baixa imunidade não tratada, antecipavam-lhes a morte. Fatores como assistência médica mais eficaz e específica e maior inserção social
contribuíram para que a expectativa de vida saltasse para 56 anos, em média. No Brasil, pelo menos 300 mil crianças, adolescentes e adultos têm a síndrome. Mais de 5 mil bebês Down nascem no país a cada ano.
As recentes conquistas dos Downs devem levar a novos debates. Um dos mais urgentes é sobre a sexualidade e os direitos reprodutivos. Quem deve decidir se eles podem ou não ter relações sexuais e filhos? “É como se colocássemos nessas pessoas um status permanente de crianças, dependência e impossibilidade de escolha”, afirma Débora Diniz, antropóloga e professora de Bioética da Universidade de Brasília. Cada caso é único. E a resposta para cada um deles não deve ser padronizada.
Pela lei, os direitos reprodutivos dos deficientes intelectuais são os mesmos de qualquer cidadão. A Justiça, no entanto, costuma presumir que nas relações sexuais de não-deficientes com deficientes está embutido algum tipo de abuso. Mesmo quando o sexo é “consentido”, a interpretação freqüente é que a permissão pode ter sido dada por ingenuidade. “Para
grande parte da população, a deficiência intelectual justifica a imposição de outros limites”, diz Mustacchi. De acordo com o médico, por trás dos questionamentos sobre os direitos sexuais e reprodutivos dos deficientes há duas perguntas: “Quem vai cuidar do bebê?” e “E se ele também for deficiente?”.
Quando descobriu a gravidez de Gabriela, essas dúvidas tiraram o sono de Laurinda. A avó de Valentina achava que, aos 51 anos, não teria força para educar uma criança. O apoio veio dos dois filhos e de amigos. A casa de Laurinda vive cheia. É um entra-e-sai o dia inteiro. Todos querem cuidar um pouquinho de Valentina. Carlos Alberto Demate Júnior, o filho mais velho de Laurinda, é padrinho da menina. Acabou se tornando seu segundo pai. “O que mais me preocupa é a estrutura emocional de Valentina. Como, na infância e na adolescência, ela vai lidar com o fato de ter pais excepcionais?”, diz. “Ela pode achar o máximo eles terem vencido uma barreira – ou pode sentir vergonha”.
Valentina nasceu no dia 19 de março, às 19h12. Logo depois do almoço, Laurinda notou que a filha entrara em trabalho de parto. Policiais foram abrindo caminho na estrada entre Socorro e Campinas para o carro passar. “Me ajuda, por favor, a gravidez é de risco”, gritava a avó. Não adiantou chegar rápido à maternidade. Gabriela teve de esperar horas até que seu organismo digerisse os dois pratos de comida mineira (tutu de feijão, bacon e carne de porco) antes da cesárea. Como nos últimos dias de gravidez ela ficou hospedada no sítio da mãe, Fábio soube do nascimento da filha perto da meia-noite. Aos prantos, pediu que um amigo o levasse ao
hospital.
Gabriela é a primeira mulher na vida de Fábio. “A gente nunca o deixava sair sozinho de casa”, diz o motorista Mauro de Moraes, de 52 anos, o pai.
“Ele mudou depois que começou a namorar Gabriela. Ficou mais independente e parece que está mais inteligente”. Durante a sessão de fotos para esta reportagem, Fábio se interessou pelo notebook e pela câmera do fotógrafo. Fez várias perguntas sobre tecnologia. Logo que Valentina nasceu, Fábio pediu uma câmera digital para o pai. Com ela, o rapaz registra as imagens
da filha.
À noite, Gabriela e Fábio freqüentam a mesma escola. Ela está no 4º ano do ensino fundamental. Ele, no 1º. O casal leva uma vida singela. Na choperia do tio Vlad, Fábio toma refrigerante ou cerveja sem álcool. Gabriela escolhe amarula ou batida de maracujá. O gosto pelo sanduíche é idêntico: x-frango. O dele com alface. O dela, sem. Um dos passeios prediletos dos dois é zanzar pela Praça da Matriz, na frente da casa de Laurinda e Valentina. Todas as quartas-feiras, o casal ajuda o padre na missa. O sonho dos dois é se casar na igreja. Mas não serve um casamento modesto. Tem de aparecer na TV. “A gente já mandou até uma carta para o Gugu”, diz
Gabriela.
Entenda a síndrome de Down
A probabilidade de uma mulher Down gerar um bebê com a síndrome é de 50%. Desses, pelo menos metade não chega a nascer
O que é: um acidente genético durante a divisão celular do embrião. Células normais têm 46 cromossomos dvididos em 23 pares. O Down tem um cromossomo extra. Pelo menos metade dos Downs não chega a nascer, pois a mãe sofre aborto espontâneo
Causa: não existe uma causa. O risco está relacionado à idade materna e é maior nos extremos da vida reprodutiva. Mulheres de 19 a 24 anos dão à luz um bebê Down a cada 1.752 nascidos vivos. Aos 46 anos, a probabilidade é de um Down a cada 33
Diagnóstico: é possível fazer durante a gravidez ou após o parto. Neste caso, são observadas as características físicas do bebê, como hipotonia muscular, fenda palpebral oblíqua e língua protrusa. A confirmação pode ser feita pelo estudo dos cromossomos
Desenvolvimento: Down não é uma doença e não tem cura. Problemas de visão e audição e moléstias cardíacas e respiratórias são mais freqüentes nas pessoas que têm a síndrome. Quase metade dos bebês Downs tem cardiopatia congênita
Tratamento: as funções motoras e mentais de um Down se desenvolvem mais lentamente, por isso a estimulação precoce com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional é fundamental. Os pais devem encorajar ao máximo a independência do filho Down
Fertilidade: um terço das mulheres Downs é fértil. Um terço ovula irregularmente. E um terço não ovula. Metade dos embriões de mães Downs tem a síndrome. Homens, normalmente, são estéreis. Na literatura médica há apenas três casos descritos de pais Downs
Fontes: William I. Cohen (Down Syndrome Center, Universidade de Pittsburgh, EUA) e geneticistas Zan Mustacchi (Hospital Infantil Darcy Vargas) e Juan Llerena Jr. (Fiocruz/RJ)
Solange Azevedo (texto) e Rogério Albuquerque (fotos), de Socorro (SP)
Época - 08/09/2008

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26 março, 2008

MEC: 70% DOS JOVENS DEFICIENTES ESTÃO FORA DA ESCOLA

Cerca de 260 mil crianças e jovens com deficiência estão fora da escola, o que representa 70,77% do total, segundo o Ministério da Educação. O levantamento do governo apontou que 369.735 jovens e crianças recebem o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social , enquanto apenas 108.060 (29,23%) estão na escola, de acordo com o Censo Escolar.
Os números foram obtidos a partir de um cruzamento de dados realizado pela Secretaria de Educação Especial do MEC e pelo Ministério do Desenvolvimento.
Segundo o MEC, o foco agora é identificar quais as barreiras que impedem o acesso à escola e a permanência desses jovens com deficiência em instituições de ensino.
Último Segundo

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07 dezembro, 2007

PROMOVER UM AMBIENTE INCLUSIVO NA EMPRESA É UM DESAFIO QUE EXIGE CONHECIMENTO, ABANDONO DE PRÉ-CONCEITOS E CONFIANÇA

Ninguém nega. A maioria das empresas ainda entra em contato com o universo da deficiência como uma má notícia ao saberem que estão obrigadas a contratar profissionais com limitações físicas, sensoriais ou mentais por força de lei. No caso, da número 8.213/1991, a Lei de Cotas, que determina: empresas com mais de 100 funcionários devem contratar pessoas com deficiência em percentuais de cotas que vão de 2% a 5% do total de empregados. Apesar de já ter completado 16 anos de vigência, a lei vinha sendo driblada através de um sem número de artimanhas. A situação começou a mudar depois que o Ministério Público do Trabalho e as Delegacias Regionais do Trabalho aumentaram a fiscalização. Quem descumpre a lei está obrigado a pagar multa de 1.195 reais mensais por funcionário não contratado, com limite de 119.512 reais por mês.


O Repórter Bruno Favoretto, na Revista Nen’s Health, realiza suas funções com autonomia.


Diante da ameaça, muitos departamentos jurídicos e de recursos humanos tem se reunido com o objetivo de encontrar saídas para o problema- e problema é a palavra exata para definir como se sentem diante da novidade. Poderia ser diferente. É o que diz a especialista em empregabilidade de pessoas com deficiência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Barbara Murrey. Para ela, a abordagem da Justiça brasileira deveria ser outra. Ao receber uma imposição, as empresas passam a ver a questão com maus olhos. "A lei é antiqüada. Seria melhor promover uma sensibilização sobre o tema, afirma. Ela admite, contudo, que a maioria das empresas dificilmente contrataria voluntariamente- o que justifica a existência de uma legislação apoiada em cotas.

Alessandra Yano, deficiente visual, utiliza o software Virtual Vision para atuar como help desk na Riachuelo.

Sem apoio de políticas públicas complementares, que contribuam para aumentar a independência de pessoas com deficiência e mudar mentalidades, a legislação se mostra pouco eficiente. Empresas que se propõem a contratar profissionais deficientes esbarram em problemas alheios à sua responsabilidade. Ao procurar candidatos, aproximam-se de uma realidade marcada pela falta de transporte público adaptado, precariedade do sistema de saúde e incapacidade do sistema de ensino em qualificar quem nasceu com deficiência ou adquiriu uma. Além desses fatores, algumas empresas dizem encontrar barreiras relacionadas à área de negócio em que atuam. Segundo o diretor de assuntos corporativos da Bridgestone Firestone do Brasil, Raul Viana, a principal dificuldade que têm é encontrar vagas em que deficientes possam trabalhar com segurança, já que maioria das oportunidades de emprego concentra-se nas linhas de produção. A Bridgestone Firestone é a maior produtora mundial de pneus e possui 5.200 funcionários nas fábricas brasileiras, localizadas em São André (SP) e Camaçari (BA). Em 2002, ela assinou um Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho de São Paulo com o objetivo de cumprir a cota de 5%. O prazo venceu, foi renovado e a empresa não conseguiu honrar o compromisso."Estamos renegociando datas com o Ministério", diz Viana.

Redação da Editora Abril: Boa circulação para cadeirantes

Não há dúvida de que existem dificuldades concretas para atender às exigências da lei. Mas existem empresas que perdem tempo com justificativas preguiçosas para não contratar deficientes. Segundo o sociólogo José Pastore, especialista em relações de trabalho, elas são reflexo do desconhecimento a respeito do segmento. E essa ignorância estimula vários mitos."Há quem pense que pessoas com deficiência não se adaptam à rotina de trabalho," afirma. "Pensam que elas agravariam os riscos em momentos de emergência, faltam ao trabalho para tratamento de saúde, afastariam clientes, são sensíveis demais ou temperamentais"" Soma-se aos mitos, o fato de haver corporações que se sentem perdidas diante de palavras como adaptação ou acessibilidade - termos que não fazem parte de sua cultura.
O coordenador de responsabilidade social da rede de lojas de departamento Riachuelo, Rogério Oliveira, percebeu isso ao implantar um programa de contratação de pessoas com deficiência na empresa. "Nossos investimentos foram em capacitação e sensibilização de funcionários em todos os níveis da empresa, começando pela diretoria", afirma. A empresa possui cerca de 8 mil funcionários em 89 lojas espalhadas pelo país e em sua sede administrativa, em São Paulo. Desde 2005, contratou 514 funcionários com algum tipo de deficiência - falta contratar mais 130 para cumprir a legislação. Para atingir a meta, cada setor da sede e loja da rede precisa cumprir sua cota particular. "Foi a forma que encontramos de mobilizar todos os funcionários", diz Oliveira. Para identificar candidatos, a Riachuelo implantou um programa de benefícios para os funcionários que indicassem pessoas e, ainda, envolveu seus clientes, imprimindo um informe sobre o programa no verso da conta dos 4 milhões de cartões de crédito que administra. Muitas pensam que, além de contratar novos funcionários, terão de investir pesado em adaptações para tornar o ambiente acessível. Ao contratar pessoas com deficiência, deveriam saber, as mudanças no ambiente corporativo devem ser focadas no plano das atitudes.
Reportagem: Claudia Gisele
Fotos: Fábio Braga
http://sentidos.uol.com.br/canais/materia.asp?codpag=991&canal=revista

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28 novembro, 2007

FAMILIARES DE BEBÊ ANENCÉFALA FESTEJAM UM ANO DA CRIANÇA

Muitas roupinhas, bonecas, um colar de ouro com um pingente de anjo, bolo, balões e uma faixa de parabéns feita pela Diocese de Franca.
Esses foram os presentes ofertados a Marcela de Jesus Ferreira, o bebê de Patrocínio Paulista que completou ontem um ano de vida, desafiando todos os prognósticos desde que foi diagnosticada sua anencefalia (ausência de cérebro), ainda na barriga da mãe, a lavradora Cacilda Galante Ferreira.
A sobrevida da menina, que deveria ser de poucas horas após o nascimento, alçou-a à posição de símbolo anti-aborto de grupos religiosos, mas também rendeu polêmica entre alguns especialistas que questionam seu diagnóstico.
A lei brasileira permite a interrupção da gravidez nesses casos.
No aniversário, cercada pelos pais, irmãs e avô, pela pediatra Márcia Beani, pela equipe do Programa de Saúde da Família que a visita toda semana e por alguns vizinhos, Marcela usava um vestido branco com detalhes em rosa, capuz e sandálias e meias brancas.
Durante a festa, a mãe se preocupava o tempo todo em enfeitar o berço de Marcela com as fitas dos presentes.
Mais tímido, o pai da menina, Dionísio Justino Ferreira, 47, participava do esforço para receber as visitas.
Desde o nascimento da caçula, o lavrador teve de cuidar da colheita de café em seu sítio com a ajuda apenas das filhas Débora, 19, e Dirlene, 15. A mulher se mudou para uma casa na cidade para cuidar de Marcela. A saudade de ver a família junta faz Dionísio pensar em mudanças. "Chego a pensar em arrendar o sítio e vir para a cidade, mas meu pai tem 88 anos e gosta
muito de lá", disse.
A distância, no entanto, não provocou a desunião da família. "Marcela veio para desafiar o mundo. Nós até ficamos mais próximos."
JULIANA COISSI
ENVIADA ESPECIAL A PATROCÍNIO PAULISTA

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29 outubro, 2007

SANTO ANDRÉ: EM DIA DO DEFICIENTE NA CÂMARA, CADEIRANTE FICA FORA.

No dia em que Santo André comemorou o Dia da Pessoa Portadora de Deficiência, uma cadeirante não pôde acompanhar a sessão solene de ontem na Câmara Municipal para marcar a data (o dia nacional é 6 de outubro).
Patrícia Sardinha, 33 anos, tem esclerose múltipla e não conseguiu vencer o lance de escadas que dá acesso à plenária com sua cadeira de rodas.
"Fiquei de fora", lamentou.
Do saguão, ela acompanhou o anúncio da retomada das obras de acessibilidade do prédio, basicamente elevadores - dois de três previstos foram instalados, mas não funcionam.
O imbróglio se arrasta desde 2004, quando foi aberta a licitação para instalação dos equipamentos. A empresa vencedora abandonou a Casa sem terminar a obra.
JUSTIÇA
O caso foi resolvido na Justiça. O juiz da 7ª Vara Civel da cidade autorizou a contratação de uma segunda empresa para conclusão dos trabalhos. A obra deve ser retomada até janeiro.
O custo do projeto não foi revelado pelo presidente do Legislativo, José Montoro Filho (PT). O valor já pago à empresa que abandonou a obra - também sob sigilo - ainda é cobrado na Justiça.
"Sei das dificuldades que enfrentarei na rua, mas não posso ficar dentro de casa", diz Patrícia, que é vice-presidente do Instituto Mid para a participação social das pessoas com deficiência.

Recebido por e-mail

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